Paracas – a natureza bruta.

15 04 2013

Mais um dia acordando cedinho para passear. A rotina eh cansativa mas vale muita a pena. A empresa contratada nos buscou no hostel antes das 7h da matina. A responsável pelo passeio não parecia ter dormido bem naquela noite. Respondia laconicamente as minhas perguntas e exibia uma carranca digna das que estão na proa dos barcos do São Francisco.

Apos 1h de viagem chegamos em Paracas, um minusculo município que recebe enxurradas de turistas para visitar as Ilhas Ballestas (santuário de aves marinhas e do lobo-marinho, alem de riquíssimo deposito de guano, fertilizante bastante valorizado obtido nas fezes dos pássaros locais). Uma vez no porto uma certa confusão devido ao grande numero de pessoas que chegavam ao mesmo tempo e a baixa capacidade organização dos que estão a frente do negocio. Continue lendo »





Huacachina – surfando nas ondas de areia.

14 04 2013

Ica é uma cidade encravada entre o deserto feito de pedra e a aridez de um mar de dunas. A dez minutos de sua Plaza de Armas está Huacachina, uma pequena esmeralda polida no meio de ondas gigantes feitas de areia. Ali, uma pequena lagoa salpicada de pedalinhos é cercada por palmeiras, flanboyants e restaurantes, me fez lembrar de Paquetá (sem as bicicletas e os cavalos). Um refúgio para as tardes de sol, e ponto obrigatório para turistas aventureiros, pois é neste minúsculo paraíso peruano que muita gente vem parar em busca de adrenalina nos passeios de buggy, para sentir na pele como a lei da gravidade pode ser divertida.

Antes de chegarmos em Huacachina fizemos uma pausa para um ceviche, na “La Compuerta” (calle Libertad, 280, próximo à Plaza de Armas de Ica), onde os pratos variam de s/.11 a s/.25. Depois de abastecidos, pegamos um táxi por s/.6 até a porta de entrada do oásis (incrível como a maioria dos táxis aqui no Peru sao ridiculamente minúsculos). Deixamos as coisas no hostel (Desert Nights, boulevard Huacachina s/n, camas por s/.16) e fomos explorar a área. O que mais me impressionou no princípio foram os gigantes paredoes bege feitos de areia que margeiam o local. tentei subir um deles, mas os pés afundam de tal maneira que dois passos parecem dois quilômetros.

Aceitei a derrota, subi até onde deu e tirei umas fotos. O resto da energia deixaria para o dia seguinte, escolhido para pegar um dos boggies tubulares e desbravar aquelas montanhas que dançam conforme a direçao do vento. Para encerrar a tarde e relaxar umas cusqueñas à beira do lago.

O sábado chegou e com ele os visitantes vindos da cidade para aproveitar o dia de folga. famílias e grupos de estudantes salpicaram o espelho dágua com pedalinhos e barquinhos a remo. Eu e Adriana fomos aproveitar um pouco do frescor da sombra de uma palmeira e lemos um pouco. Hoje, o dia todo seria de descanso para terminar em uma explosao de adrenalina com o passeio de fim de tarde.

As horas se passaram e vinte minutos antes da hora marcada já estávamos de tênis calçados, e com tudo pronto para partir. Contratamos o passeio de duas horas de duraçao por s/.40 direto com o pessoa do hostel, achei um bom negócio. melhor ainda depois que começamos a aventura em si. O deserto ao redor é formado por inúmeras dunas, um oceano de areia que vai até onde a vista alcança. Eu tentava esticar o pescoço e esbugalhar os ohlos, mas nao conseguia ver o fim daquilo. Deixei-me embriagar pelo frio na barriga. Ali, dento do buggy, vertical e horizontal nao faziam sentido, era um sobe desce, curvas inclinadas e manobras ousadas, uma sensaçao de liberdade e uma ousadia inédita. Correr em direçao ao infinito é algo bem difícil de explicar.

 

E quando achávamos que nao poderia ficar mais divertido o motorista parou no topo de uma duna, onde a crista era tao fina que mal cpodíamos nos manter em pé. Foi aí que apareceram as pranchas. Agora era a vez do Sandboard. E foi entao que a expressao “com a cara e a coragem” fez todo o sentido para mim. Por instruçao do guia, decemos o precipício deitados de bruço, encarando a descida, comendo areia e bebendo velocidade. Um pequeno flash de minhas memórias infantis veio à tona, trouxe de volta as descidas nos barrancos de grama no bairro da Taquara, onde tábuas simples e folhas de papelao eram nossas naves espcaiais.

Por duas horas revezamos as subidas e descidas como uma montanha-russa em quatro rodas e os delizes sobre a prancha. Para encerrar, um pôr-do-sol laranja vivo no meio do deserto, e mais uma lembrança incrível deste país que me surpreende a cada dia. Para jantar fomos no “La Sirena” onde encontramos os melhor menu turístico (de s/.13 a s/.18) daqui e com um atendimento bem melhor do que encontramos antes.

Até a próxima.





Voar, voar… subir, subir!

13 04 2013

Ainda em Arequipa contratamos sobrevôo das linhas de Nasca. Aliás, a única forma de realmente ver as gigantescas formas no meio do deserto é a vista aérea. Os desenhos podem variar de 50m a 300m de extensao, portanto só da janelinha de um “teco-teco” é que se consegue avistar a belza exótica cravada no pó e na pedra.

Visitamos uma agência na Plaza de Armas em Arequipa (há pelo menos uma dúzia delas) e e fechamos o pacote por US$110 (com direito ao vôo mais o transfer da rodoviária até o aeroporto e o retorno). Existe a possibilidade de comprar o passeio diretamente com cada empresa aérea que faz o percurso sobrer as linhas (todas fazem o mesmo intinerário), mas achamos melhor chegar com tudo já agendado.

Saímos de Arequipa às 21h30, nosso anfitriao, o Maurício, fez questao de nos acompanhar até a rodoviária, ou melhor, o terrapuerto, e nos deu as últimas recomendaçoes e abraços. Desta vez, viajamos pela melhor companhia de ônibus peruana, a Cruz del Sur, o que fez toda a diferença, com muito conforto, pontualidade e ótimo serviço. Logo no início faz-se um procedimento similar ao das viagens aéreas, com direito a despachar bagagem, passar por detector de metais e esperar na sala de embarque. Uma vez dentro do ônibus, serviço de bordo e instruçoes de segurança, só faltou levantar vôo. O trajeto até Nazca custa s/.82,00 em classe semi-cama. No geral a viagem foi bem tranquila, salvo as 5.456 curvas no caminho, que me davam a sensaçao de estar em um carrosel, e um bebê que resolveu fazer “serenata”, e nao havia força nesta terra capaz de fazê-lo parar de chorar. Aliás, em viagens noturnas bebês nao deveriam ter cortesia, e sim que lhes cobrassem o dobro!

Após longa noite de cochilo intermitente, quando os primeiros raios de sol acariciavam o deserto, e nao passavam de pálidas listras de luz, chegamos em Nazca. Já na descida do ônibus um agente de turismo já nos esperava na porta para nos levar até o local de espera do transporte até o aeroporto. Deixamos nossas bagagens em segurança, tomas um café da manha simples, mas honesto, e seguimos rumo à pista de decolagem.

Antes de subir, uma pesagem de cada passageiro para equilibrar bem os avioes, que sao pequenos, para 2, 4 ou 5 passageiros no máximo, ou seja, nada mais que um fusca que voa. Pagamos a taxa do aeroporto (s/.25,00), e esperamos sermos chamados. Nessa de dividir quem vai com quem, eu e a Adriana fomos direcionados junto com um casal britânico. Na frente do cessna tiramos um par de fotos, e uma vez lá dentro com o cinto de segurança apertado, e fone nos ouvidos, tínhamos apenas nossas câmeras fotogràficas, uma nesga de coragem e muito frio na barriga para nos segurar enquanto o piloto decolava.

Lá em cima, um espetáculo de linhas retas, trapézios e retângulos se espalhavam até onde os olhos podiam alcançar. O piloto fazia evoluçoes, inclinando aquele passarinho de metal, o deixando com as janelas laterais paralelas ao chao para facilitar as fotos das figuras indeléveis na superfície. Dentro de mim fervilhava um caldeirao de adrenalina, com pitadas de enjôo e incredulidade frente àqueles colossos. Vimos os desenhos da baleia, astronauta, cachorro, macaco, pelicano, papagaio, beija-flor, entre outros, e nao há emoçao igual de ver com os proprios olhos aquilo que antes tinha visto em livros e documentários. Mensagens de homens do passado para deuses (ou astronautas?) e que até o dia de hoje nao há consenso spbre sua origem e finalidade.

Depois de 40 minutos tocamos o solo, mas já nao éramos os mesmos que subimos, ali, ao descer do pequeno aviao, um sorriso ficou tatuado em nosso rostos, e a sensaçao de termos feito algo incrível e que levaremos para o resto de nossas vidas me deu um prazer que só os sonhos realizados podem proporcionar.

Dali, seguimos de volta para a rodoviária. Compramos a passagem rumo à Ica (empresa Soyuz s/.11,00), e seguimos por 2h30 em um labirinto de pedra e sequidao. Nosso próximo destino: Huacachina, um oásis em meio às dunas peruanas. Mas isso fica para o post seguinte!





Arequipa – a cidade nascida do vulcao

12 04 2013

Chegamos em Arequipa sem muitas expectativas, já que o principal passeio, o tour pelo Cañon de Colca tínhamos descartados. Mas, como o destino nos prega peças, calhou que justamente aqui tivéssemos nosso único anfitriao pelo CouchSurfing, isto é, pela primeira vez em toda a nossa vigem ficaríamos na casa de um local. Nosso “host” em Arequipa foi o Maurício, um cara que sabe muito a respeito de sua terra natal e seu país. Aliás, nossa sorte em relaçao ao CS Peru está demais.Maurício nos recebeu de braços abertos e foi um superguia no dia e meio que passamos por ali.

Conhecemos o centro histórico todinho da Cidade Branca (assim é conhecida Arequipa, pois a maioria de suas construçpes sao feitas de sillar, pedra originada da lava do vulcao El Misti). E aqui vivemos, mesmo que por apaenas um dia, a vida do peruano comum.

Detalhe da torre da Catedral de Arequipa

Detalhe da torre da Catedral de Arequipa

Em Arequipa também desbravamos mais a cozinha regional, com direito a Adobo (soba ppicante de carne de porco), queso helado (espécie de sorvete local feito de leite batido, baunilha, coco e canela) e os anticuchos (espécie de churasquinho de coraçao acompanhadfo de milho e batratas).

Após um dia e meio explorando tudo que a segunda maior cidade peruana tem  oferecer tive a sensaçao de que as experiências pessoais definem a qualidade da viagem. Em Arequipa, meu ponto de vista foi baseado nos do Maurício que nos deu uma verdadeira aula de cultura e história peruana, o que mantém  viva a chama dentro de mim de fazer cada ez mais viagens mundo a fora, e compartilhar com os visitantes tudo aquilo que sei sobre a cidade em que vivo.

Depois disso, nosso caminho nos levaria até Nazca, terra das linhas gigantes e misteriosas, onde aflorou em mim o pequeno Indiana Jones que fui quando criança, um ser capaz de sonhar grande, como se o sonho fosse se tornar sempre realidade. Só que, desta vez, aconteceu.





Puno – O patinho feio peruano

11 04 2013

Saímos de Cusco em direção à Puno (cidade na beira do lago Titicaca) em um ônibus da empresa Libertad, e que custou s/.15,00, ou seja uma pechincha para um percurso de sete horas. Mas como nada neste mundo é fácil, muito menos no Peru, o trajeto foi permeado de paradas em povoados minúsculos e a intervenção de vendedoras dos mais diversos tipos de comida. Imaginem os vendedores dos trens da Central do Brasil, perdem de goleada. Aqui o “suquinho” é vendido em sacolinhas, pois copos e garrafas plásticas são muito caros. Os lanchinhos são pedaços de carne cortados ali na sua frente. Jamais esquecerei da cena de uma dessas vendedoras que baixou uma bolsa no meio do corredor, apoiou um saco em cima de uma plataforma que tem nos ônibus aqui e abriu um embrulho que, na verdade, era uma perna inteira de cordeiro. Sem pestanejar a senhora empunhou um cutelo e desceu a lenha, cortando a carne e esmagando ossos, ali na frente de todos, mais precisamente do meu lado.

Ao fim desta aventura, chegamos finalmente em Puno, que mais parece uma enorme favela com suas casas que sobem as encostas e sem reboco. Descansamos no hotel e nos preparamos para desbravar o lago navegável mais alto do mundo.

Mais um dia acordando super-cedo para sair em tempo de ver o máximo possível. A van veio nos pegar 7h em ponto. O passeio que contratamos foi de um dia inteiro visitando as Ilhas de Uros e a Ilha Taquile (s/.45,00 por pessoa) o que acredito ser o suficiente. Subimos no barco, muito confortável, aliás, e em pouco mais de meia hora chegamos nos Uros, as ilhas artificiais feitas de junco.

Foi uma sensação estranha pisar naquele chão formado apenas de “canudos” vegetais e ver aquela gente que vive ali o tempo todo, comendo o que podem pescar, caçar ou colher. Os Uros tem origem Aymara, e um dia foram um povo isolado, mas desde 1992 o turismo pasteurizou um tanto a cultura local, e, não importa em qual das 73 ilhas artificiais que você visite, ouvirá o mesmo discurso, tirará as mesmas fotos e lhe cantarao as mesmas músicas, mas, no resumo da ópera, achoque vale a pena esta experiência inusitada.

Depois, seguimos por 2h30 lago adentro até chegarmos em Taquile, uma ilha povoada por uma etnia quechua, mas com costumes próprios e que vive também da pesca e da agricultura de subsistência. Ali, o tempo parece passar bem devagar, inclusive a expectativa de vida da população insular é de 90 anos, e, mais uma vez, o turismo maculou a tradição e alguns moradores parecem “amestrados” para mostrarem como é viver ali. Pelo menos o almoço na casa de uma família é uma delícia a parte, seja pelo sabor ou pelo visual.

De volta ao barco mais duas horas e meia de viagem até puno. Para matar o tempo, vale a visita na plaza de armas e na Calle Lima e suas cercanias, onde encontra-se lojas de presentes, restaurantes e caixas eletrônicos. Procure comer em lugares que oferecem menu turístico  pois por um preço único (de 15 a 22 soles) você tem direito a entrada, prato principal, sobremesa e uma bebida. E se você quiser ficar mais tempo por essas bandas ainda existem outros locais ao redor de Puno para se visitar, mas nossa agenda não permitiu explorar  tanto.

Na manha seguinte rumamos a Arequipa em outro ônibus do estilo do anterior, parando em cada canto, e com direito a um vendedor que mais parecia um funcionário do Ministério de saúde que fez uma palestra sobre doenças como câncer de cólon, todas as verminoses e obesidade, para, ao fim de uma hora, oferecer sua mistura para regular o intestino, muito surreal.

Até a próxima.





Machu Picchu, o lugar onde sangra o bolso e aquece o coraçao

9 04 2013

Em primeiro lugar é preciso dizer: ir à Machu Picchu é um sacrifício, seja financeiro ou físico, mas a recompensa é garantida e nao há meios suficientes para descrever a sensação de chegar ao topo da montanha e ver a paisagem que se descortina à sua frente, formada por montanhas cobertas por um manto verde escuro, com um véu de nuvens acinzentadas que não nos deixa esquecer que estamos no meio de uma floresta tropical. E, no centro de tudo isso, está a cidade perdida, ou melhor, achada por cada um dos milhares de turistas que a visitam diariamente e vivenciam a experiência única de sentir que o tempo não pára, mas deixa recados inexoráveis.

Voltando ao sacrifício que se faz. Para chegar em Águas Calientes (povoado base para subida ao sítio arqueológico) é necessário que se faça uma maratona. Uma opção é a Trilha Inca que dura três dias e duas noites, num caminho íngreme com a altitude jogando contra. A outra forma é usar os meios de transportes menos exaustivos  (ônibus ou trem), e que, mesmo assim , não deixam a missão mais fácil. Para ir de ônibus é preciso fazer umas três ou quatro baldiações e pode demorar entre sete e dez horas para chegar lá. Já indo de trem os preços são mais salgados (ida e volta de Cusco sai por US$164,00 pela PeruRail ) e demora 4h30 de viagem. A nossa opção foi a ferroviária, compramos o bilhete para o trem das  6h30.

Carro da PeruRail

Carro da PeruRail

Além do transporte até Águas Calientes, é preciso pagar o bilhete de entrada em Machu Picchu, o que custa s/.130, e se você quiser fazer a trilha até a montanha vizinha de Huayna Picchu é preciso desembolsar mais s/.25,00 (as visitas a esta trilha se limitam a 400 pessoas por dia). Após garantimos passagem e bilhete de entrada, a ansiedade foi a companheira fiel das horas seguintes. Pelo menos, acordar às 4h30 da manha nunca foi tao fácil. Tomamos um táxi até a estaçao de trem de Cusco (Wanchaq), onde o serviço da Peru Rail nos levou de ônibus na primeira parte do percurso até Pachaq (aproximadamente 1h40), já que estamos no final da época de chuvas e este trecho da ferrovia sofre com a queda de encostas.

Depois tomamos o trem com vista panorâmica e cruzamos o vale repleto de vasta selva e diversos pontos com muros incas até o destino final, Águas Calientes, mas antes ainda tivemos direito a serviço de bordo com toda a pompa e circunstância, mesa posta, café da manha e comissário que se arriscava no português, até ali, o preço da passagem estava valendo. Chegamos finalmente na estação final depois de mais duas horas. Mas ainda faltava a última parte, subir a serra que leva às portas de Machu Picchu. E para variar mais uma “facada” de s/.47,00 (ou RS$45,00) para o micro-ônibus que leva e traz até lá em cima. Algumas pessoas fazem o percurso a pé, mas além de termos apenas um dia para ver uma das sete maravilhas do mundo, a altitude cobra um preço muito mais caro.

E ao fim desta maratona, a primeira vista das ruínas me deixou incrédulo, boquiaberto, embasbacado mesmo, com a grandiosidade de tudo, com a capacidade de um povo de construir e viver em comunidade ali, à beira de um precipício no meio da selva. São inúmeros os atributos que encantam o visitante. E justamente esta mistura de emoções é que pode atrapalhar um pouco, para conhecer ao máximo é preciso disciplina. Em aproximadamente quatro horas percorremos os terraços, casas e templos, cruzando as construções às vezes labirínticas desta joia do passado sul-americano.

Saímos de lá com a sensação de êxtase, de sonho realizado, com imagens indeléveis em nossas mentes, ir a Machu Picchu é um acontecimento de grandes proporções na vida de qualquer um, especialmente para mim, que tenho coração de viajante, com um desejo insaciável de querer conhecer cada vez mais, de ir cada vez mais longe, dar mais um passo, provar mais um sabor.

Machu Picchu

Machu Picchu

Na viagem de volta ainda fomos brindados por situações inusitadas dentro do trem. Após servirem o “jantar” (uma frugal porção de fusili ao sugo com uma mini pizza), uma voz no alto-falante conta sobre uma tradição cultural peruana, os sar’has, uma espécie de bate-bola (ou clóvis), e ao fim do discurso eis que surge um sujeito mascarado com chifres e roupa colorida, tomei um susto confesso, pois a criatura surgiu do lado do corredor em que eu não estava vendo, mas foi divertido. E na sequencia algo mais surreal, um desfile de moda com peças feitas de la de alpaca, onde os “modelos”, eram os próprios comissários, mais vergonha alheia impossível, depois de testemunhar essa não permitirei ninguém reclamar do trabalho perto de mim.

Até a próxima.





Q’osqo – o umbigo do mundo.

7 04 2013

O Rio de Janeiro é a Cidade Maravilhosa, mas descobri que está anos-luz atrasada em termos de turismo. Nunca poderia imaginar que uma cidade de 600 mil pessoas, e encravada no meio de montanhas quase inacessíveis poderia dar grandes lições  Assim é Cusco, um lugar que sabe aproveitar muito bem seus atributos.

A primeira impressão que tive foi de caos, com o  trânsito super congestionado da hora do rush matinal, mas ao chegar no hotel tivemos ótima recepção do dono. Mas isso já contei no último post, por isso vamos ao que importa. A cidade fica a 3300m de altitude, e isso deve ser levando em consideração sempre, porque estamos falando de um lugar cheio de ladeiras e degraus. Fumantes devem passar maus bocados por aqui.

Plaza de Armas em Cusco

Catedral de Cusco

Como capital do Império Inca, Cusco (ou Q’osqo em quechua, a língua franca andina), fica no centro de tudo, e no seu auge, partiam daqui os caminhos que levavam aos pontos mais longínquos de seu domínio nas quatro direções  E também por isso, a concentração de sítios arqueológicos por aqui fazem com que o visitante fique pelo menos cinco dias par conhecer o mínimo, e esse foi o nosso plano.

Na quinta de manha reservamos o Citi Tour (s./25,00), que começa na Plaza de las Armas com uma visita opcional à Catedral (é preciso pagar mais 25 soles), nós declinamos e esperamos o resto do grupo. Em seguida o guia nos leva ao museu Qorikancha (Casa do Ouro me quechua), que era um antigo templo inca e foi parcialmente destruído pelos colonizadores espanhóis para que construíssem por cima um monastério. Foi aqui que Pizarro, o conquistador da América do Sul, exigiu como resgate do rei inca, dois quartos cheios de ouro e um de prata.

Após visitar o museu, seguimos para as primeiras ruínas, a dica é comprar o bilhete turístico (130 soles e válido por 10 dias, que comporta todos os sítios nos arredores em Cusco, todo o Valle Sagrado, outras três áreas arqueológicas, um show de dança típica e dois museus) , começamos por Q’enqo, um templo à Terra, onde passamos por um labirinto sobre pedras, onde eram feitas as múmias, como primeiro ponto de visita foi um começo morno. Na sequencia fomos para Saqsayhuaman, o maior templo do império Inca, e palco do Inti Raimi, festival do sol, onde os habitantes locais revivem as festividades do solstício de inverno (21-06) de seus ancestrais. Ainda passamos por Tombomachay (um local de descanso para os viajantes) e Pukapukara (a fortaleza vermelha), mas nenhum dos dois tem a mesma imponência de Saqsayhuaman. É de cair o queixo deparar-se com imensos blocos de pedra polida e com encaixe perfeito, criando uma estrutura sólida e sem o auxílio de nenhum tipo de argamassa.

O segundo dia de visitas aos sítios arqueológicos da região foi mais impressionante do que o anterior. desta vez contratamos o tour pelo Valle Sagrado (65 soles, com almoço de buffet liberado incluído). O guia nos buscou na porta da pousada e seguimos rumo à cidade inca de Pisaq. Ao chegar lá, além do deslumbre com a paisagem, mais uma coisa nos tirou o fôlego, subir degraus e ladeiras, quase todos os locais visitados são assim, o que, somado à altitude de mais de 3300mts, pode impedir a visitação de pessoas idosas e/ou com dificuldade de locomoção.

No mais, ver a engenhosidade dos que aqui estiveram é algo incrível. A tecnologia simples e ao mesmo tempo sofisticada é bastante interessante. No local seguinte, Ollantaytambo a sequencia de terraços feitos para o plantio e para evitar a erosão da encosta que viviam. Perguntei a mim mesmo se os governantes do Rio de Janeiro já visitaram o lugar, poderia ser inspirador. Para terminar o dia passamos pelo povoado de Chinchero, para ver mais um exemplo de como a ignorância dos colonizadores espanhóis fez a humanidade perder uma bela oportunidade de avançar mais rápido na ciência, engenharia e arquitetura.

Moray, o laboratório Inca.

Moray, o laboratório Inca.

O último dia de visitas às ruínas andinas no entorno foi por nossa conta, contratamos um taxista que nos levou à Moray (uma espécie de laboratório botânico  e agrícola, onde círculos foram escavados em diferentes níveis, o que, ao meu ver, é um lugar único na face da terra), Tipón (um complexo de aquedutos que abastecia a cidade inca local) e  Pikillaqta (ruínas de um povoado Wari – pré-inca).

Ao fim de três longos dias, já virei expert na cultura andina e tenho algumas considerações importantes a fazer à respeito de Cusco. A cidade em si é grande e movimentada, uma panela fervilhante de viajantes de todo o mundo em busca de aventuras na exótica terra inca e os habitantes locais que tentam manter vivas as suas tradições e os seus bolsos com algum dinheiro, pois pelo menos 1/3 da população depende do turismo, desde o motorista de táxi, passando pelos guias, garçons, vendedores e pedintes.

Nenhum preço por aqui é definitivo, sempre pechinche, inclusive com os táxis  já que taxímetro é um objeto que não existe no Peru. Cuidado com a comida muito barata e/ou de rua, não são preparadas com os métodos mais higiênicos e podem atrapalhar a sua viagem. Sempre tenha água com você, a altitude e o clima aqui desidratam muito rápido. E tenha sempre paciência, pois o que não falta é gente te oferecendo coisas e não importa quantas vezes você diga não, eles continuam insistindo.

Até a próxima, porque agora será a vez de encarar Macchu Pichu. Oh, yeah!