Puno – O patinho feio peruano

11 04 2013

Saímos de Cusco em direção à Puno (cidade na beira do lago Titicaca) em um ônibus da empresa Libertad, e que custou s/.15,00, ou seja uma pechincha para um percurso de sete horas. Mas como nada neste mundo é fácil, muito menos no Peru, o trajeto foi permeado de paradas em povoados minúsculos e a intervenção de vendedoras dos mais diversos tipos de comida. Imaginem os vendedores dos trens da Central do Brasil, perdem de goleada. Aqui o “suquinho” é vendido em sacolinhas, pois copos e garrafas plásticas são muito caros. Os lanchinhos são pedaços de carne cortados ali na sua frente. Jamais esquecerei da cena de uma dessas vendedoras que baixou uma bolsa no meio do corredor, apoiou um saco em cima de uma plataforma que tem nos ônibus aqui e abriu um embrulho que, na verdade, era uma perna inteira de cordeiro. Sem pestanejar a senhora empunhou um cutelo e desceu a lenha, cortando a carne e esmagando ossos, ali na frente de todos, mais precisamente do meu lado.

Ao fim desta aventura, chegamos finalmente em Puno, que mais parece uma enorme favela com suas casas que sobem as encostas e sem reboco. Descansamos no hotel e nos preparamos para desbravar o lago navegável mais alto do mundo.

Mais um dia acordando super-cedo para sair em tempo de ver o máximo possível. A van veio nos pegar 7h em ponto. O passeio que contratamos foi de um dia inteiro visitando as Ilhas de Uros e a Ilha Taquile (s/.45,00 por pessoa) o que acredito ser o suficiente. Subimos no barco, muito confortável, aliás, e em pouco mais de meia hora chegamos nos Uros, as ilhas artificiais feitas de junco.

Foi uma sensação estranha pisar naquele chão formado apenas de “canudos” vegetais e ver aquela gente que vive ali o tempo todo, comendo o que podem pescar, caçar ou colher. Os Uros tem origem Aymara, e um dia foram um povo isolado, mas desde 1992 o turismo pasteurizou um tanto a cultura local, e, não importa em qual das 73 ilhas artificiais que você visite, ouvirá o mesmo discurso, tirará as mesmas fotos e lhe cantarao as mesmas músicas, mas, no resumo da ópera, achoque vale a pena esta experiência inusitada.

Depois, seguimos por 2h30 lago adentro até chegarmos em Taquile, uma ilha povoada por uma etnia quechua, mas com costumes próprios e que vive também da pesca e da agricultura de subsistência. Ali, o tempo parece passar bem devagar, inclusive a expectativa de vida da população insular é de 90 anos, e, mais uma vez, o turismo maculou a tradição e alguns moradores parecem “amestrados” para mostrarem como é viver ali. Pelo menos o almoço na casa de uma família é uma delícia a parte, seja pelo sabor ou pelo visual.

De volta ao barco mais duas horas e meia de viagem até puno. Para matar o tempo, vale a visita na plaza de armas e na Calle Lima e suas cercanias, onde encontra-se lojas de presentes, restaurantes e caixas eletrônicos. Procure comer em lugares que oferecem menu turístico  pois por um preço único (de 15 a 22 soles) você tem direito a entrada, prato principal, sobremesa e uma bebida. E se você quiser ficar mais tempo por essas bandas ainda existem outros locais ao redor de Puno para se visitar, mas nossa agenda não permitiu explorar  tanto.

Na manha seguinte rumamos a Arequipa em outro ônibus do estilo do anterior, parando em cada canto, e com direito a um vendedor que mais parecia um funcionário do Ministério de saúde que fez uma palestra sobre doenças como câncer de cólon, todas as verminoses e obesidade, para, ao fim de uma hora, oferecer sua mistura para regular o intestino, muito surreal.

Até a próxima.

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