Voar, voar… subir, subir!

13 04 2013

Ainda em Arequipa contratamos sobrevôo das linhas de Nasca. Aliás, a única forma de realmente ver as gigantescas formas no meio do deserto é a vista aérea. Os desenhos podem variar de 50m a 300m de extensao, portanto só da janelinha de um “teco-teco” é que se consegue avistar a belza exótica cravada no pó e na pedra.

Visitamos uma agência na Plaza de Armas em Arequipa (há pelo menos uma dúzia delas) e e fechamos o pacote por US$110 (com direito ao vôo mais o transfer da rodoviária até o aeroporto e o retorno). Existe a possibilidade de comprar o passeio diretamente com cada empresa aérea que faz o percurso sobrer as linhas (todas fazem o mesmo intinerário), mas achamos melhor chegar com tudo já agendado.

Saímos de Arequipa às 21h30, nosso anfitriao, o Maurício, fez questao de nos acompanhar até a rodoviária, ou melhor, o terrapuerto, e nos deu as últimas recomendaçoes e abraços. Desta vez, viajamos pela melhor companhia de ônibus peruana, a Cruz del Sur, o que fez toda a diferença, com muito conforto, pontualidade e ótimo serviço. Logo no início faz-se um procedimento similar ao das viagens aéreas, com direito a despachar bagagem, passar por detector de metais e esperar na sala de embarque. Uma vez dentro do ônibus, serviço de bordo e instruçoes de segurança, só faltou levantar vôo. O trajeto até Nazca custa s/.82,00 em classe semi-cama. No geral a viagem foi bem tranquila, salvo as 5.456 curvas no caminho, que me davam a sensaçao de estar em um carrosel, e um bebê que resolveu fazer “serenata”, e nao havia força nesta terra capaz de fazê-lo parar de chorar. Aliás, em viagens noturnas bebês nao deveriam ter cortesia, e sim que lhes cobrassem o dobro!

Após longa noite de cochilo intermitente, quando os primeiros raios de sol acariciavam o deserto, e nao passavam de pálidas listras de luz, chegamos em Nazca. Já na descida do ônibus um agente de turismo já nos esperava na porta para nos levar até o local de espera do transporte até o aeroporto. Deixamos nossas bagagens em segurança, tomas um café da manha simples, mas honesto, e seguimos rumo à pista de decolagem.

Antes de subir, uma pesagem de cada passageiro para equilibrar bem os avioes, que sao pequenos, para 2, 4 ou 5 passageiros no máximo, ou seja, nada mais que um fusca que voa. Pagamos a taxa do aeroporto (s/.25,00), e esperamos sermos chamados. Nessa de dividir quem vai com quem, eu e a Adriana fomos direcionados junto com um casal britânico. Na frente do cessna tiramos um par de fotos, e uma vez lá dentro com o cinto de segurança apertado, e fone nos ouvidos, tínhamos apenas nossas câmeras fotogràficas, uma nesga de coragem e muito frio na barriga para nos segurar enquanto o piloto decolava.

Lá em cima, um espetáculo de linhas retas, trapézios e retângulos se espalhavam até onde os olhos podiam alcançar. O piloto fazia evoluçoes, inclinando aquele passarinho de metal, o deixando com as janelas laterais paralelas ao chao para facilitar as fotos das figuras indeléveis na superfície. Dentro de mim fervilhava um caldeirao de adrenalina, com pitadas de enjôo e incredulidade frente àqueles colossos. Vimos os desenhos da baleia, astronauta, cachorro, macaco, pelicano, papagaio, beija-flor, entre outros, e nao há emoçao igual de ver com os proprios olhos aquilo que antes tinha visto em livros e documentários. Mensagens de homens do passado para deuses (ou astronautas?) e que até o dia de hoje nao há consenso spbre sua origem e finalidade.

Depois de 40 minutos tocamos o solo, mas já nao éramos os mesmos que subimos, ali, ao descer do pequeno aviao, um sorriso ficou tatuado em nosso rostos, e a sensaçao de termos feito algo incrível e que levaremos para o resto de nossas vidas me deu um prazer que só os sonhos realizados podem proporcionar.

Dali, seguimos de volta para a rodoviária. Compramos a passagem rumo à Ica (empresa Soyuz s/.11,00), e seguimos por 2h30 em um labirinto de pedra e sequidao. Nosso próximo destino: Huacachina, um oásis em meio às dunas peruanas. Mas isso fica para o post seguinte!

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