Q’osqo – o umbigo do mundo.

7 04 2013

O Rio de Janeiro é a Cidade Maravilhosa, mas descobri que está anos-luz atrasada em termos de turismo. Nunca poderia imaginar que uma cidade de 600 mil pessoas, e encravada no meio de montanhas quase inacessíveis poderia dar grandes lições  Assim é Cusco, um lugar que sabe aproveitar muito bem seus atributos.

A primeira impressão que tive foi de caos, com o  trânsito super congestionado da hora do rush matinal, mas ao chegar no hotel tivemos ótima recepção do dono. Mas isso já contei no último post, por isso vamos ao que importa. A cidade fica a 3300m de altitude, e isso deve ser levando em consideração sempre, porque estamos falando de um lugar cheio de ladeiras e degraus. Fumantes devem passar maus bocados por aqui.

Plaza de Armas em Cusco

Catedral de Cusco

Como capital do Império Inca, Cusco (ou Q’osqo em quechua, a língua franca andina), fica no centro de tudo, e no seu auge, partiam daqui os caminhos que levavam aos pontos mais longínquos de seu domínio nas quatro direções  E também por isso, a concentração de sítios arqueológicos por aqui fazem com que o visitante fique pelo menos cinco dias par conhecer o mínimo, e esse foi o nosso plano.

Na quinta de manha reservamos o Citi Tour (s./25,00), que começa na Plaza de las Armas com uma visita opcional à Catedral (é preciso pagar mais 25 soles), nós declinamos e esperamos o resto do grupo. Em seguida o guia nos leva ao museu Qorikancha (Casa do Ouro me quechua), que era um antigo templo inca e foi parcialmente destruído pelos colonizadores espanhóis para que construíssem por cima um monastério. Foi aqui que Pizarro, o conquistador da América do Sul, exigiu como resgate do rei inca, dois quartos cheios de ouro e um de prata.

Após visitar o museu, seguimos para as primeiras ruínas, a dica é comprar o bilhete turístico (130 soles e válido por 10 dias, que comporta todos os sítios nos arredores em Cusco, todo o Valle Sagrado, outras três áreas arqueológicas, um show de dança típica e dois museus) , começamos por Q’enqo, um templo à Terra, onde passamos por um labirinto sobre pedras, onde eram feitas as múmias, como primeiro ponto de visita foi um começo morno. Na sequencia fomos para Saqsayhuaman, o maior templo do império Inca, e palco do Inti Raimi, festival do sol, onde os habitantes locais revivem as festividades do solstício de inverno (21-06) de seus ancestrais. Ainda passamos por Tombomachay (um local de descanso para os viajantes) e Pukapukara (a fortaleza vermelha), mas nenhum dos dois tem a mesma imponência de Saqsayhuaman. É de cair o queixo deparar-se com imensos blocos de pedra polida e com encaixe perfeito, criando uma estrutura sólida e sem o auxílio de nenhum tipo de argamassa.

O segundo dia de visitas aos sítios arqueológicos da região foi mais impressionante do que o anterior. desta vez contratamos o tour pelo Valle Sagrado (65 soles, com almoço de buffet liberado incluído). O guia nos buscou na porta da pousada e seguimos rumo à cidade inca de Pisaq. Ao chegar lá, além do deslumbre com a paisagem, mais uma coisa nos tirou o fôlego, subir degraus e ladeiras, quase todos os locais visitados são assim, o que, somado à altitude de mais de 3300mts, pode impedir a visitação de pessoas idosas e/ou com dificuldade de locomoção.

No mais, ver a engenhosidade dos que aqui estiveram é algo incrível. A tecnologia simples e ao mesmo tempo sofisticada é bastante interessante. No local seguinte, Ollantaytambo a sequencia de terraços feitos para o plantio e para evitar a erosão da encosta que viviam. Perguntei a mim mesmo se os governantes do Rio de Janeiro já visitaram o lugar, poderia ser inspirador. Para terminar o dia passamos pelo povoado de Chinchero, para ver mais um exemplo de como a ignorância dos colonizadores espanhóis fez a humanidade perder uma bela oportunidade de avançar mais rápido na ciência, engenharia e arquitetura.

Moray, o laboratório Inca.

Moray, o laboratório Inca.

O último dia de visitas às ruínas andinas no entorno foi por nossa conta, contratamos um taxista que nos levou à Moray (uma espécie de laboratório botânico  e agrícola, onde círculos foram escavados em diferentes níveis, o que, ao meu ver, é um lugar único na face da terra), Tipón (um complexo de aquedutos que abastecia a cidade inca local) e  Pikillaqta (ruínas de um povoado Wari – pré-inca).

Ao fim de três longos dias, já virei expert na cultura andina e tenho algumas considerações importantes a fazer à respeito de Cusco. A cidade em si é grande e movimentada, uma panela fervilhante de viajantes de todo o mundo em busca de aventuras na exótica terra inca e os habitantes locais que tentam manter vivas as suas tradições e os seus bolsos com algum dinheiro, pois pelo menos 1/3 da população depende do turismo, desde o motorista de táxi, passando pelos guias, garçons, vendedores e pedintes.

Nenhum preço por aqui é definitivo, sempre pechinche, inclusive com os táxis  já que taxímetro é um objeto que não existe no Peru. Cuidado com a comida muito barata e/ou de rua, não são preparadas com os métodos mais higiênicos e podem atrapalhar a sua viagem. Sempre tenha água com você, a altitude e o clima aqui desidratam muito rápido. E tenha sempre paciência, pois o que não falta é gente te oferecendo coisas e não importa quantas vezes você diga não, eles continuam insistindo.

Até a próxima, porque agora será a vez de encarar Macchu Pichu. Oh, yeah!

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