Varna: comunismo, praia e topless

23 08 2009
praia de Varna no litoral do Mar Negro

praia de Varna no litoral do Mar Negro

Dobre!

Finalmente tive a experiência que estava esperando por toda a viagem. Estes últimos dias vivi como nos tempos do comunismo. Estou hospedado em um apartamento num prédio bem caído onde fica apertado pra duas pessoas, não tem chuveiro, tenho que tomar banho de pia, e o toalete fica do lado de fora, no corredor comum, e não passa de um buraco no chão! Não poderia ser mais divertido!!!

Sério, é um perrengue a parte, mas tem seu lado cultural, pois as pessoas viviam e ainda vivem assim aqui na Bulgária e em outras partes da Europa oriental. E o local é tão pequeno que pra uma pessoa já fica difícil, imagino como seria pra uma família inteira dividir tão pouco espaço. Mas o caro leitor deve estar se perguntando como vim parar num lugar assim. Minha resposta: couch surfing, melhor maneira de incorporar a cultura local.

Cheguei em Varna no sábado pouco antes das 14h, e junto comigo estava o Benji, que também dividiu o mesmo lugar comigo em Veliko Tarnovo. E novamente seriamos hospedados pela mesma pessoa. No caso a Rumi, uma dona de agencia de viagens de 40 anos que também nos convidou para uma festa organizada pela filha de 25 anos e as amigas.

Fomos até o lugar marcado com Rumi pra nos encontrarmos. Ela apareceu, mas veio com a triste noticia de que a festa não rolaria mais. E nos levou pro lugar onde ficaríamos hospedados, que não era na casa dela. Pensei que de certa forma seria maneiro pela independência e liberdade, mas depois de 10 minutos de caminhada chegamos numa espécie de condomínio habitacional da época do regime comunista. Entramos no prédio e o cheiro de mofo queimou minhas narinas. Subimos os sete andares num elevador que acho não ter recebido as revisões técnicas necessárias nos últimos quinze anos.

Uma vez fora do elevador, um corredor que parecia ala de presídio nos levou a porta do apartamento, mas que era tão pequeno que não acreditei que era só isso. Um como de talvez 10 metros quadrados mobiliado com uma cama de solteiro que servia de sofá, uma pequeno armário, um criado mudo uma mesinha três prateleiras com algumas coisas entulhadas e duas cadeiras. Numa ante-sala uma pia, que teoricamente também seria nosso chuveiro.

este era o único banheiro disponível para todo o corredor

este era o único banheiro disponível para todo o corredor

Ainda me refazendo do choque me troquei e pus minha sunga, pois iríamos primeiro pra praia. Desci e fomos almoçar num restaurante a beira mar bem agradável. Aliás, a praia na costa do mar negro é bem interessante, parece mais com as nossas praias com areia branca e umas marolinhas. De lá rumi foi embora e eu e benji fomos dar um role. Achamos um bar na praia onde podemos ficar confortavelmente deitados em almofadões embaixo do guarda-sol.

De lá uma caminhada ao redor da cidade pra um sorvete e ver as atrações que são ruínas de um banho romano e algumas igrejas. Já eram quase 21h30 quando fomos a um outro bar na praia tomar a saideira. Na volta pra casa fiz a ginástica quase impossível de tomar banho na pia, usando minha toalha de piscina como esponja pra me molhar.

O pior foi acordar no dia seguinte e ter que ceder as minhas necessidades fisiológicas e encarar o buraco. Primeiro porque o chão é alto e o teto baixo e eu não caibo em pe, queimei meu pescoço na lâmpada ao entrar. Depois a condição bastante desagradável de se agachar e torcer que todos seus excrementos vão para a direção certa sem atingir nenhuma parte do seu corpo. Eu não conseguia parar de rir com o ridículo da situação, mas o triste é saber que o que foi uma aventura pra mim é a realidade de muita gente, talvez mais da metade da população mundial.

Saí dali aliviado em todos os sentidos, usei guardanapo como papel higiênico e ao voltar por apê benji estava rindo a beca. Ele acabara de achar um lubrificante sexual na prateleira. Nós estávamos nos perguntando momentos antes o que motivava nossa anfitriã alugar um muquifo daqueles se ela tem a casa dela, mas a prova do crime estava ali. O cafofo servia pra encontros amorosos, muito provavelmente extra conjugais. Não resisti e investiguei mais um pouco e na gaveta do criado mudo um monte de camisinhas e pacotinhos de lenços de papel. No pequeno armário embaixo uma dúzia de bebidas diferentes, não havia duvidas, ali era uma espécie de cantinho de pecado. Não conseguia parar de rir com a situação. O melhor foi ir pra praia e parar de pensar em besteiras a respeito de nossa anfitriã.

no meio dessa gente tem umas fazendo top-less

no meio dessa gente tem umas fazendo top-less

Chegando a beira-mar tempo claro, calor, sol, tudo perfeito pra um dia na praia. Começamos a caminhar em busca do mesmo lugar com almofadões do dia anterior e notei que na Bulgária as mulheres ficam bastante a vontade na praia. Aqui em varna foi o lugar onde mais vi damas de topless. Vocês devem achar que me senti no paraíso, até seria se a praia não fosse tão democrática. Pois alem das gatinhas novinhas de seios duros com mamilos apontando pra um futuro promissor, também tinha um monte de muxibas penduradas sobre barrigas gigantescas, verdadeiras uvas passas a mostra. Em alguns momentos eu achava que estava em alguma ilha do atlântico sul onde as morsas se encontram pra banharem-se com a luz do sol. Mas de graça temos que aturar de tudo.

Finalmente nos largamos esparramados nas almofadas apreciando a paisagem. Ao redor até que o números de seios bonitos em exibição era bem considerável, e ficávamos comentando como elas agem absolutamente de forma natural. As crianças correm ao redor, os ambulantes passam e nada as abala. Aliás, tinham uma duplinha que estava na verdade abalando a praia toda. Elas alem do simples top less (pois a esta altura já tinha visto tantos que nem me surpreendia mais) ela começaram a se beijar e fazer umas brincadeiras que mais pareciam exibição erótica ao ar livre.

Eu não sei o que acontece aqui, mas a Bulgária me surpreendeu bastante, pois em um lado tem bastante ranço do comunismo, é bastante pobre de certa forma, mas me pareceu mais liberal que outros lugares. Minha viagem até aqui me mostrou coisas que os livros de historia e geografia não foram capaz de me contar, talvez porque seus autores nem o saibam. Não me arrependo de nenhuma escolha que fiz e cada dia quero aproveitar como o ultimo.

É verdade que as saudades de família e amigos é infinita, mas certos sacrifícios são recompensados com mais cultura e novas amizades ao redor deste nosso planeta que cada dia fica menor. Eu passei bastante perrengue vivendo ao estilo cortina de ferro por aqui, mas a quantidade de coisas interessantes que vi valeu cada segundo dentro do reservado de buraco no chão!

Para fotos da comuna:
http://picasaweb.google.com/rogjorn/Bulgaria#

prédios construídos durante o regime comunista

prédios construídos durante o regime comunista

Anúncios

Ações

Information

5 responses

25 08 2009
dinda juju

Oi Ro
amanha cedo vou p Salvador, não sei se havera oportunidade de acompanhar o dia a dia de sua aventura, provavelmente ficaremos sem nos “ver” nos proximos dias.
quantas facetas tem na europa, não é mesmo? e a gente imagina que só nos temos varios brasis…
tomara que tudo continue correndo as mil maravilhas
a Denise Mirantão operou o quadril, passa bem , apesar da recuperação ser lenta. Ela precisara do auxilio de muletas uns dias pois não pode colocar o pé no chão. Aqui todos estão bem. Tem visto chaveiro interessante? rs
lembrei que como associada do sesc

25 08 2009
dinda juju

Oi Ro
amanha cedo vou p Salvador, não sei se havera oportunidade de acompanhar o dia a dia de sua aventura, provavelmente ficaremos sem nos “ver” nos proximos dias.
quantas facetas tem na europa, não é mesmo? e a gente imagina que só nos temos varios brasis…
tomara que tudo continue correndo as mil maravilhas
a Denise Mirantão operou o quadril, passa bem , apesar da recuperação ser lenta. Ela precisara do auxilio de muletas uns dias pois não pode colocar o pé no chão. Aqui todos estão bem. Tem visto chaveiro interessante? rs
lembrei que como associada do sesc posso me hospedar e aos acompanhantes, em sua rede de hoteis, o que e bem mais barato. vou me inteirar melhor e vamos ver se levamos seus pais conosco
bjkarinhosa, com amor de dinda

25 08 2009
Danilo e Juçara

Oi filho, como vai, estamos sentindo sua falta, quero saber o nome daquele cordão grego vermelho que vc enviou, peço tambem, que nomeie as fotos pois não sabemos onde é e d q c trata, as estorias estão ótimas, por esses acontecimentos inusitados q pedi q tenha cuidado … bjs Mãe e Pai e Dogs

23 10 2009
Tudo acontece em Veliko Tarnovo « O viajante possível

[…] A próxima parada será na costa búlgara onde o mar morto de derrama em praias badalas no balneário de Varna. […]

18 12 2009
a Verdade sobre a Síria « O viajante possível

[…] dizer  como tudo era barato. Seguindo algumas informações do Benji (americano que conheci na Bulgária) resolvi colocar a República da Síria na minha lista, mas descobri que  não existem muitas […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: