Tudo acontece em Veliko Tarnovo

21 08 2009
Monumento à dinastia Assen

Monumento à dinastia Assen

Dobre!

Estou numa cidade pequena da região central Bulgária, onde um quarto da população é de estudantes universitários, e é muito mais interessante que a capital. Aliás, Veliko Tarnovo foi a capital búlgara nos tempos da idade media e o impressionante monumento à dinastia dos Assen não nos deixa esquecer disso.

Este monumento fica no alto de uma pequena encosta no meio da cidade e tem as estatuas de quatro reis da dinastia assen e tem um estilo que lembra algo do “senhor dos anéis” e fica numa posição onde quase de todos os cantos da cidade se avista o colosso.

Acordei ainda meio zonzo de sono pois estou com déficit altíssimo de descanso, mas mesmo assim me aprontei e fui pra rua com meus fieis companheiros: Dimitrina, minha anfitriã, e o Benji, outro malandro que ela está hospedando ao mesmo tempo. Compramos nossos acepipes para o café da manhã e fizemos um piquenique justamente aos pés do monumento com uma bela vista da cidade.

Dali fomos ao cabeleireiro cortar a juba ao estilo búlgaro, ou seja, bem curto. De lá encontramos umas amigas da Dimitrina num restaurante. Eu ficaria bem mais animado com isso se não fosse o detalhe que a minha anfitriã e suas amigas são lésbicas do estilo caminhoneiras, se vestem como homens, são muito legais, uma inclusive é até gatinha, loirinha de olho azul, mas se eu tentar alguma coisa me quebram ao meio.

Tudo ia bem com a vista, o papo e a cervejinha gelada até que chega mais uma figura, o George, que já estava meio alto, mas muito simpático nos convidou pra irmos a uma piscina. Com o calor dos infernos que estava rolando ali parecia ótima idéia, mas ele completou que seria uma festa de heavy metal na piscina…….

Eu, Dimitrina e Benji

Eu, Dimitrina e Benji

Como o Benji ainda achou curiosa a idéia e as meninas não disseram nem sim, nem não, segui o fluxo e fui me trocar e pus a sunga. Lá na casa da dimitrina o George já estava enxugando uma garrafa de 2 litros de cerveja. Eu e o benji nos trocamos e seguimos o rumo pra piscina. Mas as meninas disseram que não iriam… Fiquei bolado de ir pra um possível programa de índio nível 6 com aquele búlgaro maluco já bem próximo de estar na mão do palhaço, e seu fiel e semimudo escudeiro. Mas pelo menos o benji estava junto e qualquer coisa a gente morreria lutando.

O George comprou mais uma garrafa tamanho família de cerveja barata, pegamos o táxi e fomos pra bendita piscina. Felizmente chegando lá, percebemos que se tratava de uma piscina publica e a ma qualidade do inglês do maluco mais seu estado etilizado ele misturou dois eventos em um. O lance da festa heavy metal seria na noite do dia seguinte. Menos mal, pois em vez de marmanjos cabeludos, a piscina estava povoada de algumas menininhas interessantes.

Mais aliviado tirei a camisa e a bermuda, e pulei na piscina. E quando estava ainda do lado de fora percebi que o Benji tinha umas cicatrizes enormes no peito e nos mamilos. Quando ele também mergulho e não resisti à curiosidade e perguntei o que houve. Ele só disse que era uma longa historia e que provavelmente eu não acreditaria. Mas a curiosidade me devorava por dentro por que as cicatrizes não eram o que podemos considerar discretas. Então prometi que acreditaria e que não tinha problema em ouvir a historia. Percebi que ele não ficou muito confortável com a situação. Insisti novamente e ele disse: “você vai achar que eu estou te zoando, mas basicamente estas cicatrizes são da minha operação de mudança de sexo, eu nasci num corpo de mulher”………………………..
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………… Esse intervalo foi o tempo que fiquei sem dizer nada. Chocado com a informação, e ele só respondeu – eu disse que você não acreditaria, mas é a verdade. Daí em diante não tive mais coragem de tocar no assunto e fingi que ele nunca me dissera isto. Continuamos a conversar sobre outros assuntos e deixei pra lá.

Após me refazer do baque, o George nos chama pra sairmos da água. Não entendi muito bem, mas beleza. Quando perguntei o que aconteceu ele disse – nada, só estou entediado porque não tem ninguém pra eu conversar. Mas o detalhe que eles já estava mais louco que o Lobão e não falava nada que fizesse sentido. E passou a falar só em búlgaro, mas aposto que também não dizia coisa com coisa pois umas garotas ao lado começaram a rir.

Fortaleza em Veliko Tarnovo

Fortaleza em Veliko Tarnovo

A situação foi piorando porque ele já não conseguia formar frase, depois nem mesmo palavras e os sons que ele emitia tentando falar eram os mesmo de um urso. Foi a deixa pra eu e o benji metermos o pe dali. Inventamos uma desculpa e saímos no sapatinho. Mas pra voltar pra cidade precisávamos de um táxi e pedimos pra a atendente do hotel ao lado chamar um em nosso favor. E quando esperávamos lá vem de novo o bebum do George com seu amigo com cara de eunuco a tira colo. Acabou que fomos todos no táxi de volta pra cidade.

Lá ele decidiu comprar cigarros e aproveitamos a chance pra despistar o mala. Demos um pulo de volta na casa da dimitrina, o benji pegou o livro guia das atrações locais e fomos pra principal delas a fortaleza da cidade. Chegando lá mais um cenário que parecia criado por J.R.R.Tolkien. Uma muralha gigante ao redor de umas ruínas que já foram romanas, bizantinas, otomanas e búlgaras. No alto uma igreja pra variar o cenário.

Cruzamos de ponta a ponta vimos o precipício de onde os traidores eram atirados pra morte instantânea. Encontramos restos de um cemitério mulçumanos e partes de painéis romanos que agora fazem parte das muralhas com simples tijolos. Eu me senti o próprio Indiana Jones lendo as inscrições em latim, ou tentando identificar letras do alfabeto cirílico em outras partes.

Por último fomos à igreja que é bem diferente, pois não tem mais nenhuma afresco original e todas as obras são arte moderna, muito interessante. De lá saímos em busca de um tesouro bastante importante pra mim: a bandeira da Bulgária pra costurar na minha mochila. E incrivelmente nenhuma loja tinha.

Quando eu já estava me acostumando com a idéia que talvez a Bulgária não teria representação em minha mochila nos deparamos com a principal igreja ortodoxa da cidade, entramos e logo de cara nos deparamos com o padre mais bizarro que já vi na vida. Tinha a barba e o cabelo num formato que eu não sabia dizer onde começava um e terminava a outra. Meio blackpower mas de um jeito esquisito e até meio sombrio, o que combinava com o ambiente em geral.

Logo ao lado da igreja uma ruazinha tortuosa cheia de lojinhas de souvenir. Pensei comigo se não tiver a porcaria da bandeira de costurar aqui, é por que não existe. E comecei a peregrinação de loja em loja e nenhuma resposta positiva. Aí achamos uma que vende relíquias da época do comunismo entre elas pins de datas comemorativas, partidos que não existem mais ou de eventos esportivos o que é bem legal e eu sabia que algumas pessoas poderiam considerar um souvenir bem interessante.

Então entrei e perguntei se havia a bendita bandeira e a mocinha bem simpática disse que não, mas sentamos assim mesmo no chão na calcada em frente à loja e começamos a catar os pins um por um pra ver quais levaríamos. Durante nossa busca conversamos com a atendente e ela era estudante de geografia. Falei que era do Brasil e mostrei minhas tattoos (a do mapa sul-americano e a do rio) e ela achou muito legal. No fim das contas rolou desconto e ela ainda foi pessoalmente nos levar na loja onde eu encontrei a bandeira mais maneira de todas que alem do padrão normal ainda tem o leão símbolo nacional estampado.

A bandeira búlgara tremula no meio das ruínas da fortaleza

A bandeira búlgara tremula no meio das ruínas da fortaleza

Voltamos pra casa da dimitrina pra buscá-la saímos pra jantar e na volta a dona da loja onde comprei a bandeira nos chamou porque ela é a vizinha da nossa anfitriã e ainda cruzamos com o George na mão do palhaço tentando voltar pra casa, mas na condição dele cada passo era uma vitória.

A próxima parada será na costa búlgara onde o mar morto de derrama em praias badalas no balneário de Varna.

Até o próximo!

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3 responses

22 08 2009
dinda juju

Oi Ro
vc tirou foto do padre?
ri muito deste capitulo eestou doida pra ver as fotos
bjk
dinda

23 10 2009
Varna: comunismo, praia e topless « O viajante possível

[…] pouco antes das 14h, e junto comigo estava o Benji, que também dividiu o mesmo lugar comigo em Veliko Tarnovo. E novamente seriamos hospedados pela mesma pessoa. No caso a Rumi, uma dona de agencia de viagens […]

23 10 2009
Sofrendo em Sofia « O viajante possível

[…] pra baixo quando dizem não, e da esquerda pra direita quando dizem sim. Como agora já cheguei em Veliko Tarnovo no meio das montanhas no centro do pais, minha anfitriã me explicou que isso vem da época do […]

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