Será que eu tô falando grego?

13 08 2009
O Partenon, na Acrópole

O Partenon, na Acrópole

Yassou!

Cheguei na Grécia. Tá certo que já estou no meu terceiro dia em solo grego, mas é que tudo foi tão corrido que não tive tempo de escrever nada, mas também não tinha acontecido tanta coisa assim ainda pra contar, achei melhor esperar mais um pouco.

Enfim, depois de 16 horas de barco cheguei em Patras, mas antes disso uma noite mal dormida no chão do deck da piscina do ferry boat, porque você paga a passagem do deck e vai lá fora mesmo… Dormi ao ar livre, sorte q foi uma noite agradável, mas nada confortável. Pelo menos rola uma ducha, tem bar e restaurante, o perrengue não é total.

Minha primeira vista de solo grego foram as montanhas do Peloponeso, área famosa por causa de Esparta e o rei Leônidas. O contraste do azul do mar com o marrom acinzentado das colinas era digno de cartão postal. Desembarquei e logo comprei a passagem pra Atenas, pois Patras é só um ponto de chegada não tem muitas atrações.

Em menos de três horas atravessei todo o Peloponeso e cheguei a capital grega sem nenhum albergue reservado, já que o malandro do couch surfing me deixou na pista. Anotei o endereço de uns cinco albergues e logo no primeiro que fui não tinha vagas mas encontrei uma argentina que estava em outro duas quadras dali e que poderia me abrigar por uma noite. Foi minha salvação, pois assim deu tempo de fazer uma reserva descente pra noites seguintes.

Eu e Minju com Atenas de pano de fundo

Eu e Minju com Atenas de pano de fundo

Não pude ver nada no primeiro dia por causa de toda maratona, mas já comecei a aprender a ler em grego, aliás, eu já me considero semi-analfabeto na língua local, pois sei ler as letrinha estranhas, mas só sei o significado de 10% das palavras. Estou igual criança no CA, leio todas as placas e anúncios na rua, cada papel e rotulo que encontro. Já sei escrever o nome em grego e quem sabe em breve fico fluente?????

Bom, seguindo com meus planos de visitar o berço da civilização ocidental levei minhas tralhas logo cedo por hostel seguinte e voltei pra encontrar a Minju, uma sul coreana que dividiu o quarto comigo na primeira noite grega. Fomos juntos em direção a Acrópole.

Alias, o Partenon é onipresente em Atenas, pois fica na parte mais alta da cidade e de cada ponto da pra avistá-lo ao longe. E foi esta vista imponente que vi logo ao sair da estação de metro. Logo ao atravessar os portões já se passa pelo antigo teatro de Dionísio onde as artes cênicas começaram a se desenvolver.

Subindo a colina o horizonte se expande e é possível avistar o mar e Atenas completa. No alto o Partenon e suas brancas colunas de mármore castigado pelo tempo e pela natureza, mas que estão de pé mostrando como a engenhosidade humana é incrível. Lá ainda ha o templo de Atenas Nike, uns dos mais conservados de todos e com as seis carythides guardando o portão.

Eu e minju ficamos impressionados com a grandiosidade das construções e imaginar a vida ali ha mais de três mil anos atrás é muito louco. Descemos em seguida pra Agora antiga, praça principal da Atenas clássica onde os negociantes fechavam acordos, o mercado lotava todos os dias e os políticos faziam sua “arte”.

Ali, no meio das ruínas e escombros ainda encontrei um malandro da Colômbia que conheci em Praga no encontro do couch surfing! Mundo pequeno… Ou melhor mundo grande e sem fronteiras e nos viajamos por ele e nos esbarramos por aí!

No estádio das primeiras olimpíadas da era moderna em 1896

No estádio das primeiras olimpíadas da era moderna em 1896

Não demorou muito pra gente cair nos braços do mercado popular de Plaka, principal bairro daqui, onde turistas compulsivos, lojinhas de souvenir, quiosques de guloseimas e ambulantes ilegais disputam cada metro quadrado, uma zona, mas todos se entendem. A Minju foi embora porque ia deixar Atenas ainda naquela tarde, e eu caí nas compras, porque depois de 15 dias segurando a onda na Itália por tudo ser caro cheguei na Grécia de mão aberta. Aqui tem tudo tão legal e bem mais barato que não resisti… Acho que vou ter q me desfazer de mas roupas velhas que trouxe pra poder carregar o que comprei.

Com essa correria toda de compras não vi as outras atrações. Ainda bem, porque todas elas são na mesma área e são as únicas coisas interessantes pra se ver aqui. Fora do centro turístico a cidade é sem graça, um pouco suja e cheia de imigrantes ilegais meio esquisitos, me sinto mais inseguro aqui que no Rio.

Aliás, pra chegar no albergue tenho que passar por uma área cheia de putas e gente bizarra bêbada e/ou drogada. Eles ficam lá na deles no canto, mas nunca se sabe!

Chegando lá conheci o Cris, americano que ficou estudando três semanas aqui, foi pra Istambul passear e já estava de retorno pro EUA. Então fomos juntos curtir a ultima noitada dele em Atenas. O lugar que ele escolheu é uma área onde a juventude ateniense se reúne, não da pra comparar com a Lapa, mas deu pro gasto, fizemos um esquenta no quiosque, depois fomos pra um lounge bar onde provei a bebida típica daqui uma cachaça feita de anis, mas que pra mim pareceu fraquinha.

Como o lugar estava com mais de 2/3 cheio de homens vazamos e na rua encontramos um grego que estudou com ele aqui, ai nos arrastaram pra outro bar onde rola uma pista de dança. Nos aguardando lá havia duas gregas, uma italiana e uma alemãs com descendência iraniana, e a noite bombou! Faltou luz três vezes no bar ai foi muito maneiro….

eu me senti uma criança aprendendo a ler em grego, lia tudo quanto era placa

eu me senti uma criança aprendendo a ler em grego, lia tudo quanto era placa

No dia seguinte fui visitar o restante de Atenas. Comecei pelo Templo de Zeus, que já foi o maior de todos na Grécia e hoje se resume a meia dúzia de colunas. Fui ao estádio olímpico dos primeiros jogos da era moderna em 1896, foi bem interessante.

Na seqüência, Ágora Romana que não tinha muito de especial. Almocei numa taverna grega e comi Tzatzik, que eu já conhecia desde a Áustria, consiste em iogurte natural, pepinos ralados e alho, fica um creme bom que só! Pra acompanhar queijo feta com cogumelos grelhados! Nada delicioso, mas deu pra encher a panca, pois meu café da manha tinha sido meia dúzia de figos!

Pra terminar o tour fui ao museu nacional, novíssimo e moderno, ao lado da Acrópole, com o chão de vidro transparente pra que possamos ver os sítios arqueológicos embaixo. É como flutuar por um tempo que não vivi, um fantasma do futuro observando a vida simples dos gregos de Antes de Cristo.

Por enquanto é só, Atenas não é tão empolgante como pensava! Acho que Istambul será melhor. Mas ainda tenho mais uma noitada aqui com o pessoal local do couch surfing e acabei de conhecer outro carioca viajante solitário aqui na lan house e ele vai comigo pra balada.

Efaristou… Yassou!

para fotos da antiguidade:
http://picasaweb.google.com/rogjorn/Grecia#

No templo de Zeus

No templo de Zeus

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Ações

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4 responses

14 08 2009
dinda ju

Oi Ro
só de ler o titulo já fico rindo
to adorando os trocadilhos
bem que achei que o lance do cara te hospedar ai ia babar.
é ruim qdo vc fica tantos dias sem escrever, dá ansiedade pra saber dos proximos capitulos, rs
alias a vontade que dá é que esta viagem não acabe tão cedo, só pra “aventura” continuar
bjkarinhosa
dinda

15 08 2009
Bruno Martins

Até em Atenas acha carioca !!!rsrsrs
Rogérão, seus textos sempre são ótimos e os trocadilhos também, se eu fosse solteiro te acompanhava nessa aventura!
Torço por você e espero que suas histórias se tonem um livro ou guia de viagens para alberguistas ! E com certeza irei comprar e muita gente vai gostar, pq vc escreve muito bem !!!
O postal de Florença chegou na sexta dia 15, maneiro !!! Kelly adorou e falou que quando nós fomos à Italia vc vai ser o nosso guia. Rsrsrsrs
Grande abraço !!!

23 10 2009
Thessalonıka, sendo grego por um dıa « O viajante possível

[…] últıma noıte em Athenas foı bem legal. fuı ao encontro do couch surfıng na grama perto do metro. bem sımples e bem […]

24 10 2009
Com a Puglia atrás da orelha! « O viajante possível

[…] (aqui não tem cocada, né?!) e segui pra beira-mar onde ficam as bilheterias pra pegar a barca pra Grécia! Fui no primeiro e pedi meu bilhete pro dia seguinte e o careca do balcão disse: tudo esgotado, a […]

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