Águas de março

31 03 2008
chegando no parque

chegando no parque

Ontem deixei Posadas para trás. Foi uma ótima estadia, fui muitíssimo bem recebido por Anders e Soledad, mas tudo que é bom dura pouco. Fomos nós três para o terminal rodoviário. Anders pegou o coche para BS AS, e eu para Puerto Iguazu. A parte mais difícil foi a despedida, nenhum de nós três pudemos conter a lágrimas. Ele porque deixa a noiva para trás por quase oito meses, ela por que ficará esperando aí por este tempo e eu porque vou realmente sentir falta deles!

Segui em frente e cinco horas depois cheguei ao meu último destino fora do Brasil, Puerto Iguazu. Uma cidade pequena, mas muito movimentada. E assim que entrei no albergue já conheci um casal de Brasília que também está no fim de sua jornada, com uma diferença, eles estão há 80 dias rodando a Argentina. Ficamos o resto da tarde e até meia noite conversando trocando experiências da viagem e conversando sobre tudo, inclusive demos um pulo na piscina do albergue, demais!

Hoje levantei na maior preguiça. Sabia que tinha que sair relativamente cedo pois minha aventura no Parque das Cataratas seria uma maratona. Por sorte meu hostel fica a duas quadras da rodoviária, um pulo. Então já comprei a passagem de volta para o Brasil e fui em rumo as maravilhas da natureza, e mais um patrimônio da unesco para minha lista.

na garganta do diabo

na garganta do diabo

Lá na entrada do parque o povo já me recebeu perguntando se eu queria passeios diferenciados em inglês. Respondi que não e em português. A entrada tem uma tabela de preços complicada. Pra quem mora em puerto iguazu é gratuito, que mora em misiones são 7 pesos, para argentinos em geral 14 pesos, para estrangeiros do mercosul sai a 23 pesos e estrangeiros em geral 40 pesos, fora os descontos para idosos, crianças e deficientes.

Primeira parada é numa estação de trem que leva até a entrada dos caminhos para as várias quedas. O lado argentino é completamente diferente do brasileiro, pois todas as quedas ficam do lado de cá, então a gente vê as cataratas e cachoeiras menores bem de pertinho e também em maior número.

Chegando na estação seguinte optei por pegar o outro trenzinho que leva até o outro lado do parque para a principal atração a garganta do diabo, que é justamente a super queda que divide o Brasil da Argentina. O tempo estava nublado e não fazia tanto calor como nos últimos dias, condições perfeitas para este passeio. Então adentrei pelo sendero rumo a tal queda, uma seqüência de pontes e passarelas metálicas sobre o rio Iguaçu.

Antes de chegar no ponto principal dá pra ver jacarés e vários peixes no rio de águas bem claras. E metros antes de terminar a trilha já é possível ouvir o rugido selvagem das cataratas e avistar a nuvem de chuvisco que ela emana. Então eu tive uma das visões mais impressionantes da minha vida, as cataratas me envolveram com sua deslumbrante imagem de catástrofe natural e magia. A chuva que vinha de baixo para cima e o vento gerado pela força das águas me hipnotizou. Meus músculos faciais não mais conseguiram sustentar meu queixo. E boquiaberto e encharcado admirei a paisagem, e ao fundo, do outro lado das cataratas nossa flâmula no alto retumbante. E aí me emocionei ao perceber que estava tão próximo de minha pátria e que também tinha o privilégio de ver aquele espetáculo.

parte das cataratas vistas pelo lado argentino

parte das cataratas vistas pelo lado argentino

Estive fora do meu corpo por instantes, foi como se eu pudesse voar e mergulhar naquele turbilhão de água doce e espuma. Voltei extasiado e imaginando que outras maravilhas ainda estariam por vir nas outras trilhas. Tomei o trem de volta para a entrada do passeio superior. E segui o itinerário. Fui aos mirantes superiores e vi do alto todo o esplendor dos saltos e quedas da outra parte do parque. Depois desci toda a trilha por escadas  e ladeiras para ver algumas mais de perto.

Uma vez já lá embaixo tomei a balsa que cruza uma parte do Rio para a ilha san Martin, um pedaço gigante de rocha e terra que fica bem no meio de tudo cercado por cataratas. Lá rodei as trilhas e vi a queda san Martin bem de perto. Voltei todo o caminho depois amaldiçoando cada degrau que tive que subir de volta.

praça das três nações

praça das três nações

Saí do parque depois de  5 horas de desbunde. De volta na cidade fui correndo a outra atração importante: a praça das três fronteiras. E lá no cruzamento do rio Iguaçu com o Rio Paraná, Argentina, Brasil e Paraguai se encontram. Do lado argentino há um monumento com as três bandeiras e um mirante onde fica o marco argentino e se vê o paraguaio e o brasileiro. O melhor de tudo é que meu celular funcionou, pois estava na beirinha do Brasil.

espetáculo natural

espetáculo natural

Amanhã começo o retorno, pego o coche para Sampa e lá fico uns três dias depois de volta a minha cidade natal e maravilhosa e é claro de volta para o seio de minha família.

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3 responses

2 04 2008
Rodrigo

Welcome back, Mr. Anderson… We miss you…

26 10 2009
De volta à Babilônia! « O viajante possível

[…] viagem ainda não terminou, mas já estou de volta ao Brasil. Peguei um bonde de Puerto Iguazu até Sampa para cumprir uma promessa e fui muito bem recebido aqui. A viagem até que foi […]

27 10 2009
Pecado da preguiça « O viajante possível

[…] amanha sigo meu rumo para minha última parada em terras estrangeiras por enquanto. Eu irei a Puerto Iguazu ver as cataratas, pois o lado argentino é muito mais barato que o […]

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