Cachi e o valle encantado

16 03 2008
arg 301

acima das nuvens...

Como terminei o último post dizendo que teria festa vou contar rápido o que rolou. Foi um churrasco entre os hospedes do albergue que eu estou e de mais dois outros daqui de salta. Havia carne, chorizo, saladas e pão a vontade. Eu e uma argentina não comemos carne então fizeram um pimentão recheado com queijo e cebolas grelhadas. Foi bem legal pra enturmar, e depois rolou um show folclórico.  De lá esticamos para um bar mas não fiquei muito tempo pois teria que acordar as 6h30 da manha pra fazer o tour.

E é sobre o tour que vou falar, um lugar espetacular que visitei. O passeio era para ir até um vilarejo inca chamado Cachi, mas todo o caminho faz a diferença, imagens impressionantes.

A van chegou 6h55 e eu e um argentino subimos e depois seguimos por outro albergue da rede pra buscar o resto da galera, quatro dinamarqueses e seis argentinos. A guia, Rosa, muito simpática, animada e gostosa! ficava me chamando de Fabrício e me pedia ajuda em algumas palavras em inglês.

arg 309

os cordones, cactus gigantes

O começo do caminho é por asfalto e segue em direção ao sul da província. 40 minutos depois começa a subida por uma serra a beira de um rio e é feita por uma estrada de terra cortada por varias quedas d’água que escorrem das montanhas e atravessam a pista, é uma verdadeira aventura.

O tempo estava super fechado e a chuva ameaçava cair a qualquer momento, eu fiquei preocupado por achar que estragaria o passeio, ingenuidade minha! A primeira parte do percurso é em uma área de vegetação densa chamada junga, que significa selva na língua quéchua. É um meio-ambiente muito semelhante a mata atlântica.

Nessa região paramos em duas pontes de ferro que são bastante curiosas e principalmente a vista é linda , a pesar do clima chuvoso, e então estávamos a 2500mts, ainda subiríamos mais. E fomos no meio de trilhas tortuosas, riachos cruzando a via, e penhascos enormes. O pior é que em muitos trechos a pista só tem espaço pra um carro por causa dos constantes deslizamentos de terra, mas é mão dupla, o motorista ten que conhecer muito bem o trajeto.

A parada seguinte foi numa birosca pra um pit stop de banheiros e chá de

arg 317

Uma das pequenas ruas do vilarejo de Cachi

coca. Eu tomei o chá e depois ainda fiquei mastigando a folha, pois não agüento mais ficar com dor de cabeça n altitude. E a folha deixa a boca dormente, é estranho, mas é bom. Quinze minutos foram suficientes e voltamos pra estrada, ali a vegetação vai ficando mais rasteira e começam a aparecer os primeiros cordones, uma espécie enorme de cacaus, que eles usam até pra fazer moveis.

Agora estávamos no meio de um denso nevoeiro, ma transição de terrenos. De repente o sol aparece o sol com todo o seu esplendor, acabávamos de adentrar no Valle encantado, que faz muito jus ao nome. Lá de cima víamos as nuvens logo abaixo, parecíamos ter ascendido ao paraíso.

Paramos em dois mirantes para fotos incríveis do mar de nuvens. Em um deles estávamos no ponto culminante do trajeto 3448 metros de altura. Em seguida a vegetação vai ficando escassa e o ambiente mais árido. os cordones se destacam, até por que dão nome ao parque nacional que estamos.

arg 312

o vale encantado

Um bando de guanacos nos recebe logo que passamos pelos portões, e logo mais a frente a antiga rota inca, que forma um reta perfeita de quase 40km, hoje asfaltada nos guia em direção ao nosso destino. E bem no meio desta rota paramos para admirar os cordones, milhares deles, uma floresta de cacaus cercada de montanhas com cinco ou sete cores diferentes por causa dos minerais. Lá ainda vimos um ninho de viúva negra, uma das aranhas mais venenosas do mundo.

Logo mais a frente paramos em um restaurante rústico para o almoço. Comi como entrada triangulitos de queijo de cabra com casca crocante de quinoa, e o prato principal mossaka vegetariano com berinjela, queijo de cabra, pimentão vermelho e cebolas, pra acompanhar um vinho branco da região. Tudo muito bom.

Dali ate o povoado de Cachi foram uns 20 minutos, e chegamos lá, mas é muito pequeno e rústico. Nada demais, o caminho até lá é que faz o passeio valer a pena. tirei umas fotos das ruas, dos moveis feitos de cacaus que tem na igreja e do cabildo, uma espécie de antiga sede do governo local. E então voltamos, mas nunca esquecerei a diversidade da flora então curto espaço de tempo e dimensão. Sai da selva fechada pro deserto em três horas ou 170km.

arg 318

crinaças locais sempre se impolgam com a presença dos turistas

Desci no hostel e combinei com toda a cabeçada argentina de sairmos juntos hoje a noite. Amanha tomo o busão pra Posadas as 15h.

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: