Na esquina do nada com lugar nenhum

13 03 2008
Antofagasta, no meio do nada existe uma cidade

Antofagasta, no meio do nada existe uma cidade

Depois que deixei La Serena encarei 15 horas de viagem. Parte do caminho beirando o Pacífico, e parte me enfiando no deserto do Atacama. Mas vamos por partes. Pra começar o ônibus que eu peguei já estava completo e eu tive que ficar no lugar que escolhi, mas com a minha bagagem de mão toda em cima de mim, pois não sobrou espaço em cima e as mochilas eram um tanto grandes demais pra caber aos meus pés. Nem preciso dizer que não foi a noite mais agradável que tive até aqui.

Pra piorar meu vizinho de poltrona era um cabeludo que estava há mais tempo que eu sem tomar banho, não que no Chile o transporte seja precário, mas longas distâncias sempre reservam surpresas, e nem sempre elas são agradáveis. Pra animar ainda mais a companhia tem, digamos, um canal próprio de tv que passa durante toda a viagem. O detalhe que eles só tem umas cinco ou seis horas de programação pra uma viagem que dura quase 24h, pois o ônibus já estava vindo desde Santiago.

Detalhe dos programas: filmes – Showtime, Dennis, o pimentinha  e Quarteto Fantástico, em espanhol todos, um episódio inédito de Chaves em áudio original!!!!! E uma meia dúzia de clipes de artistas locais que nunca ouvi falar. Mas o problema começa quando  a programação repete! Tudo bem, sobrevivi a mais este perrengue que espera todos os mochileiros.

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colunas de vapores saindo da terra junto com a aurora

Mas como a viagem não é feita só das coisas ruins, de repente  no meio do deserto, rodando há mais de cinco horas não vendo nada além de areia e pedras surge um cidade enorme de 300 mil habitantes! Antofagasta, simpática capital da segunda região (região é como eles chamam os estados e o Chile tem uns 15). Muito interessante e pitoresca, um monte de casas coloridas e prédios enormes espremidos entre o Pacífico e o Atacama. É uma região portuária e também rica pelas minas de ferro e outros minérios no meio do deserto.

Mais umas quatro horas e finalmente chegamos no meio do nada onde fica San Pedro do Atacama, todas as construções só tem um andar, as ruas são de terra e as casa são de pau-a-pique ou adobe, parece àqueles barracos bem no meio do sertão, mas aqui é uma região árida então, não poderia esperar muito mais. Fiquei no mesmo albergue que os Mineiros que conheci em Valparaíso, e logo depois de largar as coisas no quarto, fui contratar os passeios das redondezas. Voltei por quarto e tirei um bom cochilo.

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as lhamas também tem oAtacama como seu habitat

As 21h acordei e fui com eles comer algo, comprar uma garrafa de água, muito importante, e voltei pra dormir, pois meu primeiro compromisso seria às 4h da matina no passeio até a região dos gêiseres.

Levantei num pulo e coloquei toda a roupa exigida: sunga, calça de tactel, calça de lan, blusa e o casacão que já usei em Calafate

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Em San Pedro todas as construções são de adobe, mistura de barro e água tradicional da região

, touca e as luvas pra neve, além das botas de caminhada. Ainda estava escuro pra caramba e o céu mostrava porque vivemos na via Láctea, quando a van me buscou, desta vez estava na hora certinha. Ainda buscamos o resto do grupo e seguimos no meio do breu atravessando o deserto o frio de rachar, pois aqui a altitude é de 2400 mts e lá no destino final 4500m.

Foram duas horas sacolejando passando por pedras e rios, ladeiras e curvas fechadíssimas e o frio da porra que congelava, no grupo éramos 10 brasileiros, sendo oito deles uma galera de Sampa que está fazendo uma puta aventura de moto e jipe, ganhei um boné da expedição inclusive, e completando os brazucas eu e uma paulista, além de nós um francês, dois chineses e uma argentina. Paramos na entrada do parque pra pagar s entrada e lá fora -2ºc só pra começar! o frio entrava por cada poro do corpo, pelo olhos, não sei, só sei que tudo que coloquei ajudou, mas ainda dava pra sentir o corpo tremer.

Mais meia hora e chegamos onde estão os gêiseres menores, ainda de noite e mais frio ainda -5ºc, mas tudo bem, vamos lá ver esses esguichos. E lá estavam as enormes pilastras de vapor saindo do chão, borbulhando e exalando o cheiro de enxofre. Impressionante. Mais uma vez algo diferente de tudo que já tinha visto antes. Ficamos lá uns 30 minutos e seguimos por outro lado onde estão os grandes.

Chegando lá tomamos café da manha com direito a pão com queijo, bolo, biscoito, café, chá de coca (que tomei é claro), e chocolate quente. Depois de alimentados quem quisesse, ou tivesse coragem suficiente poderia mergulhar nas piscinas termais formada pelos gêiseres, era só ficar de sunga numa temperatura de 5ºc e andar descalço em um piso de terra batida que parecia pedras de gelo, e eu fui! Que legal morrer de frio e logo cair nas águas esfumaçantes da piscina, aquele cheiro esquisito das fontes subterrâneas, mas muito agradável. Só não fiquei mais, porque o limite são 20 minutos depois você começa a se sentir mal por causa da altitude.

sair da água é que foi ato heróico, nesse momento não há lugares pra covardes, penei, mas valeu a pena. Depois fui ver os outros gêiseres borbulhantes e nervosos. E fomos embora pelo caminho onde pudemos ver coisas fantásticas. Primeiro uma família de vicuñas, que são da mesma família do guanaco e estão em extinção. Em seguida, uma seqüência de vales, canyons e cactos e vulcões de tirar o fôlego, tinha até um que dava pra ver a fumaça saindo do topo, mas as fotos não alcançavam tantos detalhes. A próxima parada foi num povoado típico chamado Machuca, tem 25 habitantes que vivem da criação de lhamas, e com certeza fui pertinho delas e tirei altas fotos. Elas são bem engraçadas e curiosas, mas não deixam você se aproximar tanto a ponto de tocá-las.

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aqui as temperaturas variam de extremo frio para calor insuportável em questão de minutos

Voltamos pra San Pedro e eu vim almoçar e passar as fotos por álbum e atualizar o blog. depois vou fazer um outro passeio e  conto mais tarde. Amanha volto pra Argentina e começo minha jornada de regresso, mas ainda tem muita coisa pela frente!

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3 responses

13 03 2008
Renan

Ninguém entra no mar de Antofagasta não? nem pega onda? pq pelas fotos parece ter ondas boas.

\o/

13 03 2008
Renan

A agua deve ser gelada de mais, ou não pode entrar por algum motivo de proibição,

14 03 2008
DANILOjUCARA

Oi filho, gostamos muito do seu passeio de ontem no deserto, vamos ver as fotos ainda, espero que tyragas um pouco de sal para fazermos um churrasco, bom regresso, beijos pai e mae

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