Dia sereno

10 03 2008
chi 127

o farol na praia em La Serena

Pela primeira vez fiquei em um quarto só pra mim, estranho porque reservei uma vaga num quarto misto de oito camas, mas fiquei com um que mais parecia uma cela de luxo. Ok, não é tão ruim assim, mas eu gosto de conhecer pessoas, e ficando só em um aposento não facilita nada as coisas. pelos menos paguei o mesmo preço, 36 reais por tudo.

E por falar em conhecer pessoas, esse albergue está bem vazio. só tem um quarteto de lésbicas americanas que são feias e briguentas, vivem gritando umas com as outras o tempo todo, e obviamente não deram muita oportunidade pra conversa; tem um casal que eu acho que é sueco, mas nunca aparecem, e mais um ou dois casais de chilenos. E os donos são velhinhos e o véio que me atendeu eu não entendo metade do que ele diz e ele não entende 2/3 do que eu respondo.

Por essas e outras ontem me restou ir ao cinema sozinho no Cinemark, é aqui também tem. Assisti 10.000 A.C., em áudio original e legendas em espanhol, mas já to num ritmo tão bom que dispenso legendas, detalhe cinemark domingão sessão nobre 12 reais! Voltei e li um pouco, ouvi música no mp3 player e fui dormir, mas dormi tudo que ficou faltando durante o último mês de viagem. Devo ter emendado umas 12 horas de sono.

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um sol desses mas a praia só tinha eu e uns pássaros

acordei na maior preguiça ainda por volta das 10h30 ou 11h, mal pus os pés no chão e já fui colocando sunga, passando protetor, botei short e camiseta, chinelo nos pés, boné, óculos escuros e mochila com a máquina, carteira, guia de mão, toalha e sai do quarto todo animando pra praia, mas ao meter a cara fora do cativeiro vi que estava tudo nublado. O quarto não tem janela, é no máximo um quadradinho pra circular o ar, fiquei no maior vácuo. Mas não desisti porque ao longe, nas proximidades do mar havia uns raios de sol, que significavam uma pontinha de esperança pra mim.

Saí na rua e me senti um alienígena. Primeiro porque era segunda e todo mundo estava trabalhando ou estudando; segundo porque eu era o único nas ruas que não vestia um casaco ou algo com mangas compridas, e fui assim mesmo. todos que cruzavam meu caminho me olhavam de cima a baixo, eu era uma aberração, foi o que pensei, mas segui em frente. E pra ficar melhor, ou pior, não sei, a avenida que vai até a beira mar tem dois campi universitários enormes e um monte de estudantes ao redor, e ficavam me olhando, me encarando ambos rapazes e moças. Não sei se o espanto era pela minha roupa, minhas tatuagens, ser segunda ou por eu estar tão branco, mas o fato é que fui motivo de comentários entre eles. Mas juro que estava vestido da mesma maneira que ando pelas ruas do bairro que moro. Talvez ele não estejam acostumados com gente se vestindo tão à vontade.

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prédio colonial característica de La Serena, segunda cidade mais antiga do Chile

Chegando na praia tive a impressão de descobrir a razão do espanto alheio: em 6 km de praia não tinha NINGUÉM! a areia e o mar estavam desertos, e sol já estava bem firme, meus únicos companheiros eram uns pássaros marinhos que se alimentam de alguma coisa que dá bem na beirinha e eles ficam bicando e fugindo das ondas, num vai-e-vem sem fim e engraçado. Tinha também uns três ou quatro pescadores que não pegaram nada, mas era só. Fiquei uns 40 minutos, pois mais uma vez as ondas eram furiosas e estava proibido o banho, só enchi a garrafa de água e areia do pacífico como meu pai pediu e meti o pé, e claro tirei algumas fotos. voltei pro albergue pra vestir algo mais adequado a uma segunda-feira chilena.

Já vertido como se deve fui até o centro caminhando pelas ruas coloniais de La Serena, que tem 463 anos de existência. Tirei umas fotos razoáveis, e fui até o mercado La Recova, mercado principal daqui, onde tem dezenas de tendas vendendo desde artesanatos indígenas, até frutas cristalizadas, passando por peças de lan. Almocei por lá comendo pastel de choclo (uma espécie de torta de milho), e porotos granados (uma sopa de feijão).

de lá voltei para a Plaza de Las Armas e fui ao correio, e depois me sentei em um banquinho junto ao chafariz vendo o movimento. Tinha umas ciganas (ou gitanas) rodeando por lá. uma se aproximou elogiando minha tatuagem e pediu uma esmola pra poder alimentar o filho. Dei 200 pesos chilenos que dá menos que 1 real pra me livrar logo dela, mas em agradecimento ela cismou de ler minha mão. Ela fedia a sovaco e eu fiz a besteira de dar a mão. aí ela começou a dizer que a viagem ainda me traria muitas alegrias, que eu também estou perto de encontrar a mulher amada e que algum inimigo fez uma bruxaria contra minha saúde. queria que eu colocasse uma nota de qualquer valor na mão pra ela poder fazer a benção mas falei que o que me restava eram mais um bocado de moedas, ela insistiu e eu também, e então ela desistiu e deixou pra mim uma metade de um caroço grande de sei lá o que como amuleto.

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o centro da cidade e seu dia-a-dia

Outro grande erro foi continuar ali depois da primeira cigana, pois todas as outras vinham com o mesmo papo e eu me cansei de responder que já tinha dado minha última moeda pra uma delas. fora isso o clima na praça ao fim da tarde estava ótimo, um monte de adolescentes se reunindo em bandos na saída do colégio, homens e mulheres sentavam pra beber suco ou tomar sorvete e relaxar após o trabalho, alguns casais com os filhos e senhoras e senhores com seu cães, bem animado e bucólico, e eu assistindo a tudo.

Levantei quando me dei por satisfeito e fui até o hiper mercado comprar umas frutas e água pra refeição noturna. hoje foi um dia solitário e sereno, desculpem o trocadilho.

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3 responses

11 03 2008
DANILOjUCARA

Oi filho tudo bem, estamos felizes por vc, vc escreve mui bien, gostariamos que vc desse o roteito sempre ao final dos seus esctitos, pois ficamos sempre apreensivos, ja esta aki a nova caixa de el calafate tem outra? se fores para a bolívia cuidado com o trem, não deixe nada longe de vc, pois ja ouvi comentario sobre essa viagem, beijos su padre e su madre. em tempo, vimos ontem uma repoitagem na globo news, completa sobre calafate, ficamos olhando se vc aparecia, pois foi quando vc estava por ai, uma japonesinha ou sei la coreana, tirou em dois dias ai mais de 1000 fotos, queria saber porque vc naum foi naqueka kancha que vai ate as gekeiras. beijos

11 03 2008
DANILOjUCARA

Oi de novo, naum sei que foi isso de comentário RSS, beijos

28 10 2009
Impressões « O viajante possível

[…] 9 03 2008 Hoje passei a maior parte do dia viajando entre Valparaíso e La Serena, uma cidadezinha ao norte e que é a segunda mais antiga do Chile. Só deu tempo pra comer algo. […]

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