Santiago: cores e sabores

6 03 2008
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A Av. Bernardo O´Higgings centro nervoso de Santiago

Hoje só sai da cama quando meu corpo não agüentava mais ficar deitado, já eram mais de 11h  da manha. E ao levantar-me decidi que desta vez o café da manha deveria ser somente frutas da estação. Sai em direção ao posto de informação ao turista a cinco quadras daqui para conseguir um mapa da cidade e fazer meu tour por conta própria.

La em frente ao posto tomei um suco de pomelo feito na hora. R$ 2,00 o copo, e a garota corta e espreme o pomelo na sua frente. Alias, eu nunca tinha visto um. É duas vezes e meia o tamanho de uma laranja e por dentro é vermelho escuro, mas bastante saboroso. E mais a frente numa banca de frutas resolvi comprar meu dasayuno.

uma fruta  em especial, que eu não sabia se parecia com tomate ou com uma mamona, chamou minha atenção, então perguntei pra tia o que era. Ela me disse que não acreditava que eu estava no Chile e não tinha provado uma tuna ainda. Gentilmente descascou e me deu uma de cortesia pra ver se eu gostava. O aspecto descascado e o gosto lembram o kiwi, mas é uma fruta bem particular e brota de uma espécie de cactos.

Alem da tuna eu ainda comprei pêssegos maiores que meus punhos e um par de ameixas. Antes de decidir que caminho tomar parei pra comer umas frutas na Plaza de la Aviacion, bem em frente a estação de metro nas redondezas do albergue. Decidi por visitar o centro e todas as suas atrações, pois pelo menos 2/3 dos pontos turísticos que me interessavam estavam lá.

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La Moneda, sede do governo chileno

E fui eu encarar o metro, com o mapa na mão já me considerava um local. O bilhete custou 380 pesos chilenos, pois era horário normal, na hora do rush sai por 420, algo entre R$1,50 e R$1,80. Já no metro segui cinco estações e desci na estação Los Heroes, bem de frente pra embaixada brasileira. De lá comecei minha trajetória.

Duas quadras depois o Palácio La Moneda, sede do governo chileno, dei um rápido alo pra Michelle e segui em frente. Logo depois vem o Campus da Universidade do Chile, que alem de universidade tem ensino em todos os níveis, ou seja, era uma cabeçada de crianças, adolescentes e jovens usando o uniforme no meio da rua, na lanchonetes e em toda a parte. E os uniformes são super formais, com terno e gravata pros varones, e saia e meião pras damas.

Quadra seguinte Biblioteca Nacional, que é bem bonita por dentro e por fora, dei um role sem grandes intenções alem de achar um banheiro. Achei, mas tinha que pagar e desisti, tolice, pois logo mais eu descobrir que TODOS os banheiros são pagos, até nos shoppings centers. E caminhei mais um pouco. Quando parei pra atravessar a rua um marmanjo todo pintado, descalço e usando as sobras de uma calca veio me pedir moedas, trote de faculdade, e eu, que não vou sustentar barbado, respondi em inglês que não entendia,   se ele poderia falar em inglês também, ai ele voltou pro grupos de pintados e falou com uma mocinha gatinha que veio me pedir – Please, una moneda!

Aí eu dei 200 pesos, que é menos que 1 real, e ela agradeceu e o maluco ficou quicando puto.  E eu fui em frente rindo sozinho em direção ao Cierro Santa Lucia, um pequeno morro encravado no centro da cidade e que virou parque e mirante. Na entrada todos tem que preencher o livro de estudantes e quando escrevi que era brasileiro o guarda me deu boas vindas em português. La em cima tem uma ótima vista de toda a cidade, tem uma espécie de fortaleza dos tempos coloniais, uma homenagem a visita de Darwin a Santiago e una capela, muito simpático  o lugar, mas ainda faltava muitos outros a visitar.

Desci e atravessei a praça e uma moça e um cara me cercaram pedindo donativos pros estudantes pobres, pois aqui no Chile não tem universidade publica, e muitos tem dificuldades pra bancar os estudos. Dei umas moedas que somava menos de 3 reais, eles não ficaram muito satisfeitos, mas fazer o que, era o que eu tinha pra oferecer.

Próxima parada: museu de belas artes, mas eu não estava com muita vontade de entrar, então só tirei umas fotos da fachada e sentei pra descansar. Ali, no banquinho, uma tiazona perguntou se eu era da Inglaterra, falei que era brasileiro e ela riu e começou a puxar conversa, me falou dos perigos que cercam algumas partes da cidade, que era pra eu ficar atento, e também contou de sua vida. Dominicana, mas casada com chileno, viveu metade da vida na Suíça. Outra coisa que me disse foi sobre as oportunidades de trabalho no Chile e o quão bom é o salário. Como exemplo ela contou sobre a peruana que é faxineira do sogro e ganha algo em torno de 650 reais por mês.

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a vista panorâmica da cidade no alto do Cierro de Santa Lucia

Nos despedimos e eu fui, atento aos perigos, em direção ao Mercado Central, onde se pode encontrar muitos produtos típicos de Chile e restaurantes especializados em frutos do mar. La eu provei a Inca cola, um refri amarelão típico do Peru, mas tá valendo, tem um gosto bom, mas é algo que lembra guaraná meio sem gás, não sei explicar. Na mesma tienda comprei avelãs chilenas, que não tem nada a ver com as que se encontram no Brasil, plátanos chips (banana frita em rodelas), amendoim com alho, que é ótimo, manga, mamão e abacaxi desidratados, que não são difíceis de achar.

No mercado o principal são os pescados e mariscos, incluindo o gigante king crab, um caranguejo pescado nos mares antárticos e impressionante, uma porção de tipos de ostras e ouriços e peixes, tudo com um cheiro meio desagradável, e, é claro, os restaurantes. Infelizmente as fotos ficaram péssimas e eu não tenho registro desses alimentos diferentes, alem dos sabores, é claro. Ainda havia algumas ervas, raízes, frutas cristalizadas, muita quinoa, e lembrancinhas do Chile.

Saindo do Mercado embiquei na primeira rua em direção a Plaza das Armas, onde encontrei a estonteante catedral de Santiago. É mais bonita que as de Buenos Aires e Montevidéu, e mais bonita do que um monte no Brasil. Enorme e impressionante. A Nave central tem estatuas de todos os apóstolos, evangelistas e ainda do Rei Davi e Moises, dezoito no total, todos guardando Jesus, Maria e Jose.

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A catedral metropolitana de Santiago, destaque na Plaza de Las Armas

No subsolo tem o mausoléu de todos os arcebispos e bispos de Santiago desde o tempo colonial, até porque a igreja começou em 1545, mas o prédio atual é de 1778. Outro ponto interessante dentro da catedral é o monumento aos heróis da batalha de La Concepcion em 1882, uma disputa territorial entre Chile e Peru, e que 7 jovens lutaram defendendo a pátria até a morte. Resistiram dois dias e seu corações estão guardados em uma urna dentro do monumento.

Ao Redor da praça ainda tem o Museu Histórico Nacional, a Prefeitura e mais um prédio importante que agora não recordo. A Plaza das Armas fica lotada de gente fazendo estripulias, caricaturas, tocando e de desocupados que ficam observando todo esse movimento.

Mais em frente vi o antigo congresso, que esta fechado pra reformas, e não sei o que vão fazer dele, o museu pré-colombiano que estava fechado e o tribunal de justiça. só rápidas fotos das fachadas e fui pro paseo Huerfanos, um calçadão cheio de lojas e de um shopping que dei uma olhada rápida, mas 75% do mesmo era dividido por duas mega lojas de departamento a Jonhsons e a Ripley, que até banco próprio tem. La provei yogen fruz, uma mistura de sorvete com iogurte que você mesmo faz o sabor. Assim, se escolhe o de 1, 2 ou 3 frutas, escolhe as frutas e se prefere iogurte ou chocolate, com ou sem açúcar e o carinha joga as frutas e um tablete de iogurte num maquina, depois dá uma bombeada em uma alavanca e sai o sorvete prontinho, muito bom.

No caminho de volta ainda deu tempo de provar o jugo de huevillos, que é um copo até a metade com trigo cozido e por cima um concha de suco de pêssego, com um pedaço do mesmo junto. Diferente. Ainda na huerfanos vi um moca reclamando com o jornaleiro por causa de um cartão de telefone que ano funcionava. Obvio, ela era brasileira e não sabia pedir o certo e o carinha não entendia nada, fui la e salvei a pátria com o meu espanhol e ela conseguiu ligar pra casa.

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a rua de pedestres Paseo Huérfanos, onde tudo acontece

De volta ao albergue noite de jantar 0800. Pasta ao pesto, só precisava levar o que beber. Conheci nessa brincadeira um casal de australianos, um inglês de origem indiana com o sotaque dificílimo de entender, um chileno e um argentino completamente maluco. depois da janta e duas horas conversando, resolvemos dar uma esticada em um bar meio boate. Mito Urbano, não gostei pq quase o tempo todo só tocava musica anos 80 e 90. depois animou com umas salsas e foi só, porque o hijo de puta do DJ se recusou a colocar um pancadão quando pedi.

La tomei um pisco souer e um cerveja chilena horrível chamada imperial e meti o pé pra poder contar estas aventuras.

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6 responses

6 03 2008
Rodrigo

Não esquece minha cerveza!!!

27 10 2009
Camiño salteño « O viajante possível

[…] vista incrível do alto do cerro e se alcança o cume por um teleférico muito mais seguro que o de Santiago. Lá na bilheteria encontrei os 3 franceses que estão no mesmo quarto que eu, um cara e duas […]

28 10 2009
Oceano nada pacifico « O viajante possível

[…] pra irmos a praia, alias os dois são os mesmo mineiros que encontrei no mercado central em Santiago enquanto era abordado por equatoriano que parecia conhecer todos os puteiros do mundo.  Vinicius e […]

28 10 2009
Encontro com o mestre « O viajante possível

[…] para a estação de ônibus tentar a sorte, mas sorte é o que menos se precisa no quesito ir de Santiago pra Valparaíso, tem pelo menos três companhias com partidas a cada 15 minutos o dia todo o dia e o […]

29 10 2009
Caminhos andinos « O viajante possível

[…] minutos de lamento eis que chega o meu transporte pra Santiago: uma VAN! Ok, paguei 25 reais pra ir de um pais pro outro, não poderia querer que me levassem numa […]

29 10 2009
Mendonza de norte a sul « O viajante possível

[…] vou atravessar os Andes em direção a Santiago do Chile, muitas aventuras estão por […]

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