Mendoza de norte a sul

3 03 2008
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Plaza Independencia, centro de Mendoza

Hoje acordei sem planos.  Só queria ficar deitado descansando, mas esta não é uma viagem de descanso, certo? Então tomei um bom banho, peguei o mapa da cidade e fui explorá-la. Tudo a pé é claro. Não tinha nada em mente a não ser comer alguma coisa, pois a minha última refeição fora o almoço no dia anterior, e acordei tarde demais pro café da manha.

Andei do hostel até a rodoviária coisa de 7 ou 8 minutos e virei a direita em direção ao aquário da cidade, mas chegando lá vi que não valeria a pena entrar, e a fome tava apertando. Segui pela calle Buenos Aires e fui até o final observando um dia comum na vida dos mendoncinos, o povo da região. Eu estava com a minha camisa da Irlanda e então um figura que trabalha carregando caixa de fruta no mercadinho começou a gritar Irlanda! Irlanda! E eu acenei, pq ele parecia ter algum problema mental, não podia contrariá-lo.

Mais dez minutos cheguei na esquina com a Avenida San Juan, que é a mais movimentada, com um monte de lojas, galerias e bancos. Aqui, inclusive, os preços são bem tentadores, mas já fiz todas as compras que podia e não devia em Bs As. Cheguei a subir em uma galeria e dar uma olhada nas coisas e vi até um estúdio de tatuagem, mas segurei a onda e segui meu rumo.

Três quadras pela San Juan e cheguei a Peatonal Sarmiento, uma espécie de calçadão de campo grande, só que cem vezes mais civilizado, com lojas de couro, roupas de inverno, bares e restaurante e o Citibank. Foi bom encontrá-lo pois queria sacar uma graninha e todos os caixas automáticos estavam sem plata, mas a fila me desencorajou. Parei então pra finalmente comer algo e descobri um lugar muito bom e relativamente barato. Provei o chopp artesanal deles, comi milanesa de soja com purê de abóbora, torta de queijo, tomate  e abóbora, um refrigerante de pomelo e ainda rolou sorvete de sobremesa tudo por 20 reais, ou menos, e a comida deliciosa.

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meu banquete depois de 24h sem comer

Minha próxima parada foi  na Plaza Independência onde um monte de estudantes, que parecem fazer figuração em Rebeldes, ficam vadiando por lá. À noite rola uma feirinha e tal, mas a praça é um grande ponto de encontro de Mendonza e é cercada por ótimos restaurantes. Mais a frente seguindo pela Sarmiento mais restaurantes até que vira Avenida Emilio Civit, e os estabelecimentos comerciais dão lugar a belas casas e prédios, parece um bairro de classe média alta, cheio de câmeras e segurança.

No fim desta avenida estão os portões do parque municipal Libertador San Martin, e lá tem de tudo. Desde o estádio que foi sede da copa de 78, mas está bem abandonado, até a cidade universitária.  Assim que cruzei os portões do parque, que não é cercado na verdade, passam carros e ônibus pra todos os lados, comecei a ver o que os argentinos fazem na hora do lazer: correm. Como eles gostam de correr, vêm aos montes correndo e de todas as idades. Haja disposição.

Fui fazer um pit stop em frente ao lago, que aliás tem uma belíssima paisagem, fiquei uma meia hora lá olhando ao redor e ouvindo os estranhos barulhos que as pombas fazem, sim você acha que é um pássaro diferente, mas tem sempre uma porcaria de pomba ao redor, elas são poliglotas aqui. Depois do descanso merecido, pq até agora eu já tinha cruzado uns 5km no mínimo, fui em busca do famoso Cierro de la Glória, um marco da cidade. Resolvi cortar caminho no meio do mato e pra variar mifu. Fui parar no lado oposto e andei uns 2 km desnecessários. Tanto que quando estava aos pés do tal cerro desisti e voltei pelo caminho certo.

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entrada do parque San Martin

Logo que comecei a voltar um branquelo do outro lado da rua gritou e sinalizou pra mim. Eu esperei e ele atravessou a rua e me perguntou em inglês se eu era irlandês, pq ele era  e queria saber se faltava muito por tal cerro. Eu falei que não e que a camisa é pq eu gosto de colecionar e então cada um seguiu seu rumo. Mais a frente um bando de 30 adolescentes que estavam, adivinhem, correndo vieram na mesma direção que eu e assim que cheguei perto um pediu um gole d’água que eu carregava comigo que tinha acabado de encher em uma bica, na seqüência fiquei cercado deles de deixei a garrafa pra lá, até pq era da bica mesmo. Eles passaram voltando por mim e agradeceram em inglês, e eu tinha falado com eles em português, que estigma tem essa camisa hein.

Lá no parque aliás, tem um monte de espécies de escolinhas de futebol em gramado sem nenhuma linha ou trave de futebol, mas a molecada fica correndo e trocando passes com um cara coordenando, meio bizarro. E mais bizarros são os cortes de cabelo aqui e na Argentina em geral. Os caras adotaram o estilo “Chitãozinho e Xororó” pra sempre. Deve ter alguma promoção nas barbearias do tipo de deixar partes aleatórias do cabelo sem cortar tem desconto, ou então eles tem um tabela de corte com desenho da cabeça igual ao desenho dos cortes de carne nos açougue e o cara entra e aponta que parte do cabelo quer cortar, não é possível é muito esquisito.

Minhas pernas já estavam me matando, a vontade de ir ao banheiro era imensa e eu andando tudo de volta. Já estava na Plaza independência achando que a bexiga ia estourar quando achei um galeria que tivesse um banheiro. Sim porque você não pode simplesmente entrar num bar e usá-lo, todos têm placas dizendo que é só pra clientes.

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pausa para um descanso merecido

Voltando pela Sarmiento passei no Citibank e saquei uma merreca, o legal é que lá eles mostram o saldo em pesos e em reais, dá pra controlar melhor os gastos. Chegando no hostel só tinha mente pra um bom banho e depois fiquei conversando com uma porção de gringos, pois quase todos aqui ou foram ou vão pro Rio de Janeiro então ficamos falando sobre as coisas legais e ruins de lá.

Amanhã vou atravessar os Andes em direção a Santiago do Chile, muitas aventuras estão por vir.

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3 responses

4 03 2008
DANILOjUCARA

Filho, tudo bem, saudades, parabens pela sua viagem vai ser dificil de esquecer, passe creme hidratantem suas fotos estaoum d+, so faltam algunas titukos para agente saber onde e, muitas saudades, qual e o fuso horario e a distancia de Mwndoza para Santiago, e quando vc volta, 1000beijos a te!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

4 03 2008
Alinezinha e Tati

Amigo!

Que saudade!
Estamos cheias de novidades e queremos compartilhar com você. Temos uma proposta a fazer! Quando você estará de volta?
Beijos!!!

29 10 2009
Encontrando o Gigante Branco « O viajante possível

[…] que cheguei em Mendoza fala-se muito no vinho e tal, mas não sou chegado a isso, sendo assim provei uma garrafa ontem com […]

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