Encontrando o Gigante Branco

2 03 2008
arg 224

algumas das 365 curvas da Ruta Del Año

Desde que cheguei em Mendoza fala-se muito no vinho e tal, mas não sou chegado a isso, sendo assim provei uma garrafa ontem com as duas meninas que já falei e foi só. Tanto é assim que o passeio que escolhi pra fazer neste domingo foi o tour pelas montanhas, com o ápice no aconcágua e olhar o gigante branco nos olhos.

Pra começar o dia um mico do tamanho do próprio aconcágua. A van do passeio deveria passar na porta do hostel entre 8h e 8h30, até aí beleza. Coloquei o celular pra despertar 7h25 e fui dormir. Só que a porcaria da bateria acabou durante a madruga e eu fui acordado às 8h15 pelo gerente do albergue dizendo que tava o grupo inteiro do tour me esperando na porta.

Saltei de banda já colocando a mesma calça das 48h de viagem, as mesmas meias, só a camisa que era outra. Nem escovei o dente e só fui comer ou beber alguma coisa quase meio dia.

Com a cara mais lavada sai do hostel e tava rolando um barraco entre a guia e uma camareira, não sei se era por minha culpa, mas passei direto. Bom, tirando esta vergonha internacional o resto correu bem, exceto pela cara de ódio da guia pra mim até fazermos as pazes na parada pro lanche.

arg 226

guanacos, um dos habitantes dos Andes

Seguimos na van atravessando vinhedos até o vilarejo de Villavicencio, 40 min de Mendonza, onde tem umas das mais famosas fontes de água mineral da Argentina, aliás bebi muito desta marca nas últimas semanas. O barato do lugar é visitar o hotel abandonado que fica nas propriedades da engarrafadora. Ele tem um aspecto parecido com o hotel do filme O Iluminado, mas está desativado desde 1978, quando a empresa que administrava faliu. Pra reabri-lo precisa-se de muita grana e dinamitar uns morros ao redor, então acharam melhor deixar como estar e servir de ponto turístico.

Em seguida começamos a subir. Sim, a essa altura já estávamos a 1900m de altitude e embicamos pela Ruta Del Año (rota do ano), que tem esse nome porque nela existem 365 curvas, e não é brincadeira, vejam as fotos pra ter uma idéia. Na subida até o primeiro mirante do Aconcágua vimos vários guanacos, que são parentes da lhamas, mas com la de qualidade inferior e mais arredios.

Subimos mais e eu ficava impressionado com a diversidade das montanhas ao redor. Uma verdadeira aquarela mineral, tons de verde, amarelo, vermelho, laranja e marrom emolduravam toda a paisagem ao redor. Então, ao atingirmos 3100m de altitude, acredito que não tem nada nesta altura no Brasil, vi pela primeira vez o Aconcágua. Era só uma ponta branca entre as nuvens, mas mesmo assim impressionava, mal poderia esperar pra vê-lo mais perto.

arg 237

a estrada seguew paralela ao curso do Rio Mendoza

Depois de dez minutos de observação voltamos a descer em direção à Upsallata, outra cidadezinha da região com formações rochosas impressionantes e local de uma das estações de esqui do lugar, a estação Los Penitentes.

Chegando na estação vastas montanhas, mas por sr verão só terra, nada de neve, o lugar tava deserto. Só um teleférico funcionava pra quem quisesse pagar 20 pesos e dar um rolé lá em cima, achei melhor não.

Ao redor o rio Mendoza acompanha desfiladeiros de até 100m de altura que foram escavados no fim da última era glacial, quando as geleiras que ali estavam derreteram. Mais uma vez paisagens impressionantes e eu já tinha esquecido todo o embaraço de mais cedo.

Ali, em frente a estação de esqui, almoçamos, e eu comecei a interagir com o grupo. Um casal de argentinos puxou assunto por causa do meu casaco do River Plate e eu disse que não era argentino, e eles elogiaram meu espanhol, que não tinham percebido.

Ao nosso lado mais uma Argentina, um holandês e um tiozao dinamarquês fizeram parte da conversa durante a refeição. Um dos argentinos acabou e visitar o Rio e mora em Bs As então trocamos impressões sobre ambas cidades e eles me deram dicas de onde ir aqui na Argentina.

arg 247

aos pés do Aconcágua

De volta pra van e subimos novamente, desta vez pela rodovia que leva até a fronteira com o Chile, ao lado passa a antiga ferrovia, muito legal de ver. E por ali, pouco mais de meia hora depois, chegamos na entrada do parque provincial do cerro Aconcágua. A adrenalina foi a mil.

Subimos uns cinco minutos de carro e lá estava ele, desafiador, gigante e maravilhoso. Uma montanha branca de 6992m de altura. Logo na entrada do parque há o primeiro acampamento pra quem se atreve subir. Para os interessados uma taxa de 300 dólares, mais o contrato de mulas e guias, e uma média de 15 a 17 dias pra realizar todo o percurso de ida e volta.

Descemos da van e seguimos a pé pela trilha pra chegar mais perto do monstro. Como sou alpinista só o cume interessa, mas desta vez o mais alto que chegamos foi 3200m, e de novo só pude ver a neve, nada de senti-la, mas a emoção de ver de pertinho o ponto mais alto das Américas foi fantástica.

O passeio só não foi melhor porque lá nas trilha cinco cabeçudos ficaram pra trás e não viram quando viramos pra voltar e tivemos que esperar por eles quase uma hora e meia, com direito a equipe de buscas e tudo mais.

Na descida ainda paramos na ponte inca, que é uma ponte natural que conta a lenda os incas usaram pra fugir do espanhóis e uma das princesas deles tinha uma doença que foi curada pelas águas das fontes termais que têm embaixo da ponte.

arg 253

puente del Inca

Voltei por albergue destruído, com a cara vermelha queimada pelo sol, vento e frio, mas tudo valeu a pena, pois esta era uma das partes da viagem que esperava com mais ansiedade.

Anúncios

Ações

Information

2 responses

3 03 2008
Rodrigo

Caralho Mulek, quase chorei quando vi o visual gelado e as planices… Era a vida que eu pedi a Deus!
Porra, deve ser realmente deslumbrante.
Tras pra mim uma daquelas cervejas de um litro!!!

28 10 2009
Intenso, latino e verdadeiro « O viajante possível

[…] com os australianos Adam e Aliza, mais o polonês Peter, e o outro inglês que esteve comigo em Mendoza e não lembro o nome. O assunto da mesa: Rio de Janeiro, e o Peter começou a mostrar um slide show […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: